Comércio tem queda de 21% nas vendas
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quinta-feira, 20 de novembro de 1997
Carmem Murara Curitiba 
O comércio curitibano amarga uma redução média de 21% nas vendas nestes primeiros 18 dias do mês de novembro. As previsões para o Natal também não são nada animadoras: a redução deve ser de 20% em relação a 96. A queda está sendo atribuída pelos lojistas como consequência direta do aumento da taxa de juros determinada pelo governo federal para minimizar o efeito negativo da queda nas Bolsas de Valores em todo o mundo. A diminuição do consumo significa que os lojistas estão deixando de vender cerca de 4 mil produtos ao dia.
A queda nas vendas foi apurada pela Associação Comercial do Paraná que pesquisou todos os setores do comércio que têm maior volume de vendas. A pesquisa é feita com base nas consultas do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). A análise dos 30 itens mais vendidos mostra que a redução nas vendas foi um pouco maior que a média. Ela chegou a cerca de 30%. Foram pesquisadas desde as lojas de calçados e produtos para informática até as financeiras.
Os estabelecimentos que vendem calçados são os que mais estão sofrendo com as mudanças na economia. A queda nas vendas de tênis chegou a 63%. O levantamento mostra ainda que os produtos considerados supérfluos foram os mais atingidos pelos cortes. A segunda maior queda foi na venda de bicicletas, com uma variação negativa de 61%. Os produtos de automação comercial tiveram queda de 55% e as floriculturas de 41%.
O setor de roupas está vendendo 33% menos do que nos primeiros 18 dias de outubro. As distribuidoras de bebidas, lojas de departamento e financeiras enfrentam uma redução de 29%. As vendas de eletrodomésticos caíram 24%. O mesmo índice está sendo registrado pelas concessionárias de automóveis.
Até mesmo o volume de apostas nas casas lotéricas caiu. O curitibano reduziu em 39% o número de apostas. Os medicamentos também foram cortados do orçamento doméstico. A queda foi de 18%. Os números mostram que o consumidor se deixou afetar pela alta na taxa de juros, mas houve também um fator psicológico que pesou muito, afirmou o presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Ardisson Akel.
O presidente da ACP acredita que a queda registrada neste mês refletirá diretamente nas vendas de Natal. A nossa estimativa é que teremos um Natal 20% mais fraco em relação ao ano passado, disse Akel. Ele garantiu que o comércio irá facilitar as condições de pagamento neste final de ano e sugeriu que os consumidores adotem a pechincha para comprar produtos mais baratos. Os descontos poderão variar de 3% até 10%.
O vice-presidente da ACP, Luiz Nardeli, teme que a queda nas vendas represente desemprego no comércio. Ele acredita que deverá cair o número de contratações de mão-de-obra temporária. Acho que o Natal se resumirá a dois ou três dias para o comércio, avaliou Nardeli.


