O movimento no comércio caiu 9,2% em março deste ano em comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo o Indicador Serasa Experian de Atividade no Comércio, divulgado anteontem. O resultado do primeiro trimestre do ano também é 8,5% menor quando comparado com o mesmo período de 2015, e o pior da série histórica, iniciada em 2000.
Ainda de acordo com a pesquisa, o resultado geral é de retração no comércio de 1,5% quando comparado com fevereiro de 2016. O indicador é levantado sobre o volume de consultas mensais realizadas por estabelecimentos comerciais à base de dados do órgão.
O setor que mais influenciou o resultado negativo do mês foi o de veículos automotores, que registrou - 20,4% em comparação com março de 2015 e - 19,5% nos três primeiros meses do ano quando comparados com o primeiro trimestre de 2015. Em seguida, com o segundo pior desempenho, vem o setor de vestuário e calçados, com queda de 14,9% em comparação a março de 2015 e de 14,6% no trimestre.
Curiosamente, os dois setores tiveram desempenho positivo em março quando comparado com o mês de fevereiro (0,3% e 0,6% positivo, respectivamente). O setor de móveis e eletrodomésticos também é bastante prejudicado e desponta como o terceiro com o pior desempenho em todos os comparativos.
O segmento de combustíveis é o único que tem obtido resultados positivos nos três primeiros meses do ano quando comparado com o mês anterior, com os mesmos períodos de 2015 e no acumulado do trimestre em relação ao resultado dos três primeiros meses do ano passado.

Causas
O economista do Serasa Experian Luiz Rabi elenca quatro causas para os resultados identificados pelo órgão: inflação alta, aumento do desemprego, juros muito elevados e um baixo patamar de confiança do consumidor, que evita entrar em parcelamentos para não comprometer a renda em longo prazo. "Essa combinação é fatal para todo o comércio, mas afeta mais gravemente os segmentos onde o crédito é importante", afirma o especialista. A análise explica o mau desempenho para veículos, móveis, eletrodomésticos e informática.
Já a alta do dólar justifica o motivo do desempenho positivo no ramo de combustíveis, uma vez que o valor da moeda americana é desestimulante. "Na atual situação, nas férias e no Carnaval, as viagens ao exterior não ocorreram. Com isso, o turismo doméstico vem ganhando", analisa Rabi. Para o economista do Serasa, não há tendências de que os resultados recentes melhorem, já que também não há indicativos de melhoras salariais ou de geração de empregos.

Londrina
O consultor econômico da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) Marcos Rambalducci afirma que o comércio varejista de Londrina sofre de uma retração com números semelhantes aos apresentados. "Isso é perceptível pela queda no número de clientes incluídos em serviços de proteção ao crédito. É um termômetro de que as vendas estão caindo ao longo dos meses deste ano, de maneira bastante acentuada", afirma.
O especialista ainda culpa a retração à restrição de renda e de acesso ao crédito, o que reflete ainda mais forte em setores que precisam de comprometimento de renda maior, como eletrodomésticos e eletrônicos e veículos. Além disso, são bens cuja aquisição pode ser postergada, o que não ocorre com alimentos e medicamentos, por exemplo.
A FOLHA tentou repercutir o resultado com a Associação Comercial do Paraná (ACP) no fim da tarde de ontem, mas ninguém atendeu a ligação. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio-PR) não comenta pesquisas de outras entidades.

Imagem ilustrativa da imagem Comércio tem o pior trimestre dos últimos 16 anos, diz Serasa
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