Rio de Janeiro – A participação do setor de comércio no PIB (Produto Interno Bruto, o total de riquezas produzidas no país) caiu de 10%, em 1990, para 7,3% em 2000. Apesar da queda, o segmento apresentou, no mesmo período, crescimento de 65,4% no número de empresas e uma ampliação de receita de 59,9%
As conclusões são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou ontem o primeiro levantamento do setor de comércio com abrangência de uma década. O estudo também concluiu que, no segmento varejista, foi identificado um processo de concentração de receita em torno dos hiper e supermercados.
Na década de 90, segundo o levantamento, houve uma queda de 15% para 8% do faturamento total de estabelecimentos convencionais, como lojas de rua e pequenos armazéns varejistas. Simultaneamente, o setor de hiper e supermercados aumentou sua participação na receita total de 19,1% para 24,9%.
Economista do departamento de Comércio e Serviços do IBGE, Roberto Saldanha diz que o fenômeno não implicou necessariamente queda do total de lojas de rua e pequenos estabelecimentos. A maior participação dos hipermercados deveu-se principalmente ao aumento de faturamento e de margens de lucro, entre 1990 e 2000.
Entre os 500 maiores hiper e supermercados, houve um aumento de 18,3% para 24,1% da margem média de comercialização (lucro) no período. Resultado principalmente do crescimento da média de receita por estabelecimento, que saltou de R$ 6,3 milhões/ano para R$ 14 milhões/ano, entre 1990 e 2000.
Paralelamente, os dados indicam uma redução do faturamento dos estabelecimentos de menor porte, como lojas de rua, armazéns e mercearias. Em 1990, eles respondiam pelo equivalente a 15% do faturamento total do setor varejista. Em 1996, o percentual já havia caído para 9,2%. Em 2000, era de 8,5%.
‘‘A década de 90 não pode ser considerada perdida para o comércio, apesar da queda de sua participação no PIB. Hoje, o faturamento médio das empresas do setor está 60% maior do que era em 1990, em termos reais (já descontada a inflação do período)’’, afirma Saldanha.
O economista diz, no entanto, que a média de salários pagos no comércio caiu de 3,3 mínimos em 1990 para cerca de 2,5 mínimos em 2000. No período, foram criadas 445,1 mil novas empresas, a maior parte das quais (442,4 mil) de menor porte (com menos de 19 pessoas ocupadas).

mockup