Comércio, serviços e turismo demitem 69 mil
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quarta-feira, 15 de abril de 2009
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
Juntos os setores do comércio, serviços e turismo demitiram cerca de 69 mil trabalhadores no Paraná neste primeiro trimestre do ano. Os cortes representam pouco mais de 4% do total de empregos que o segmento gera, estimado em 1.650 milhão de pessoas. A redução das vagas é reflexo da crise econômica mundial e a estimativa é que este número aumente ainda mais ao longo deste ano. ''É o maior número de demissões dos últimos cinco anos. Acredito que a crise para o comércio ainda não chegou ao fim'', afirmou Darci Piana, presidente da Federação do Comércio do Paraná (Sistema Fecomércio).
Ele esteve ontem em Londrina para participar da cerimônia de instalação da Câmara da Mulher Empreendedora e Gestora de Negócios. O setor que mais demitiu foram os serviços: cerca de 30 mil trabalhadores, seguido pelo comércio (19 mil) e turismo (10 mil). Entre os setores que mais sentiram a crise no Estado estão os varejistas e atacadistas de produtos eletrodomésticos, auto-peças, automotivo e agrícola. ''O comércio teve um fôlego maior no final do ano porque os demitidos entre outubro e dezembro receberam as indenizações e gastaram no comércio e, agora, estão ficando sem dinheiro'', observou.
No Paraná são cerca de 414 mil empresas, das quais 114 mil são micro e de pequeno porte. As regiões que mais sentiram esses efeitos são o Sul e o Oeste. A primeira é pólo madeireiro, cujas vendas caíram no mercado internacional, enquanto a segunda sofreu com perdas na produção agrícola, provocada pela estiagem. Nem mesmo a redução do ICMS de 95 mil itens de consumo concedida pelo governo estadual será suficiente para alavancar os setores. A expectativa de Piana é que este corte de 18% para 12% no imposto será suficiente apenas para manter as vendas nos mesmos patamares registrados no ano passado. Comércio, serviços e turismo registraram crescimento de 8,5%.
''Os empresários já perderam lucratividade porque estão vendendo produtos de menor valor agregado. A compensação virá com o aumento do consumo'', observou o presidente da Fecomércio. Na sua avaliação, o governo federal deveria ser mais ágil e reduzir a taxa básica de juros - hoje de 11,25% ao mês - para 7%. ''Os preços já começaram a cair, mas muitos consumidores podem não perceber isso porque sobre os produtos da cesta básica já não incidia o ICMS. O Paraná terá menos dificuldade (com a crise) do que os outros Estados, mas os empresários já estão sofrendo com a falta de crédito'', comentou.
Inadimplência
A exemplo das demissões, a inadimplência também é a maior dos últimos cinco anos. Segundo Piana, no mês passado o índice atingiu os 17%, enquanto 2008 foi fechado com percentual na casa dos 3%. ''A inadimplência vai crescer mais porque as demissões vão aumentar e os empresários também têm dificuldade para conseguir crédito bancário'', disse. Na sua avaliação, os números da ''economia real'' serão sentidos a partir deste mês porque os trabalhadores demitidos no último trimestre do ano passado terão menos dinheiro no bolso para continuar movimentando o comércio.


