São Paulo - Mãe é única, mas namorados são dois, pelo menos, e se renovam constantemente. Tanto é que as vendas do comércio no Dia dos Namorados já estão se equiparando às do Dia das Mães, a segunda data mais importante para o varejo depois do Natal.
Em 1998, por exemplo, o volume de consultas para vendas à vista e a prazo da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) do mês de maio, que reflete o Dia das Mães, estava 11% acima do de junho, que é influenciado pelo Dia dos Namorados. No ano passado, no entanto, esse diferencial tinha recuado para 3,2%.
Pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio SP) com 900 consumidores na Região Metropolitana de São Paulo confirma a tendência. De acordo com a enquete, neste ano o paulistano está disposto a desembolsar em média R$ 39,79 com o presente do Dia dos Namorados, 16,3% a mais do que gastou no Dia das Mães (R$ 34,22). A pesquisa mostra também para a maioria dos entrevistados (79%) é mais importante dar um presente à ''cara-metade'' do que à mãe.
Mais cedo''O Dia dos Namorados está ganhando importância no varejo por causa da mudança de comportamento do consumidor'', afirma Sérgio Molina, presidente da DMV Comunicações, agência de publicidade especializada em shoppings. Entre os fatores responsáveis por essa mudança, ele aponta a crescente participação da mulher no mercado de trabalho e na renda familiar, o que contribui para que sobre mais dinheiro para pequenos ''agrados''.
Também o hábito, comum no Nordeste que está se disseminando em outras regiões, do pai presentear a filha no Dia dos Namorados, impulsiona as vendas da data. ''Os jovens estão começando a namorar a sério mais cedo e tem muita gente se divorciando e voltando a namorar'', observa Molina. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, entre 1991 e 1998, houve um crescimento de 32,5% no número de divórcios.
Homossexuais O outro fator de peso apontado por Molina para explicar o crescente avanço registrado pelos shoppings no Dia dos Namorados é o público de casais homossexuais (GLS). ''Trata-se de um público extremamente qualificado intelectual e financeiramente, que troca presentes caros e não tem despesas de um casal com filhos. Além disso, os homossexuais vivem mais intensamente uma paixão.''
O mercado gay movimenta anualmente R$ 150 milhões só na cidade de São Paulo, segundo os cálculos do presidente da Associação dos Empresários GLS do Brasil e dono da Álibi operadora de turismo para gays, Franco Reinaudo. Ele conta que, entre livrarias, operadoras de turismo, restaurantes e lojas de artigos de vestuário, por exemplo, São Paulo reúne cerca de 130 estabelecimentos voltados preferencialmente para o público GLS. Pesquisa realizada pela entidade mostra que 84% pertencem às camadas de maior renda (A e B). Além disso, 63% são assinantes de jornal e 92% costumam viajar.
Para o presidente da Associação dos Lojistas de Shoppings (Alshop), Nabil Sahyoun, o público GLS gosta de sofisticação e está impulsionando as vendas do Dia dos Namorados que, nos últimos anos, têm crescido entre 3% a 4% ao ano. O assessor da diretoria da joalheria H.Stern, Christian Hallot, observa que o público GLS se preocupa com qualidade. ''Eles gostam do belo e têm menos despesas.'' A H.Stern calcula que o seu faturamento do Dia dos Namorados já se equipara ao do Dia das Mães. A diferença é que o número de peças vendidas é maior no Dia dos Namorados.

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