A implantação de turno único para funcionários públicos do Estado que atuam na área administrativa pode ter trazido uma economia para o governo, mas já está trazendo reflexos negativos para os estabelecimentos comerciais do Centro Cívico, onde está localizada a maior parte das repartições. ‘‘Os servidores estaduais usavam muito os restaurantes da região. Não temos um levantamento sobre o tema, mas temos a certeza de que o movimento caiu’’, afirmou Emerson Jabur, presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares.
O Restaurante Sereia Frutos do Mar é um exemplo da queda de movimento nos últimos meses. Segundo o caixa Nivaldo Ivan Luca, o movimento caiu 20% se comparado ao mesmo período do ano anterior. ‘‘A gente sentiu essa diferença por causa do turno único do Estado’’, destacou ele. A proprietária do Restaurante São Lourenço, Eva Aparecida da Silva, não soube precisar de quanto foi a queda do movimento. ‘‘Sei que o movimento caiu, mas já está melhorando’’, declarou a empresária.
A maioria dos órgãos estaduais iniciou o período de turno único, das 12h30 às 19 horas, no início de fevereiro. A intenção era a de implantar o período para cerca de 30 mil servidores, rendendo uma economia para o Estado de cerca de R$ 20 milhões no ano.
O funcionário do Restaurante Top Grill, Dercílio Unger, disse que o movimento caiu em torno de 15%. No entanto, ele não sabe se o fato tem relação com o turno único de trabalho no Estado. ‘‘Não sei se há uma relação imediata. Mas houve de fato esta queda’’, salientou. A proprietária do Restaurante Centro Cívico, Ana Ribeiro Kater, concorda com Unger. A queda no movimento no local foi de cerca de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior. ‘‘Não sei se foi por causa do turno único ou da temporada. Mas houve queda sim’’, complementou.
Em Curitiba e Região Metropolitana, estão cadastradas cerca de 8 mil empresas ligadas ao setor de hospedagem e venda de comidas frias e quentes. Deste total, aproximadamente 900 são restaurantes.

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