Ainda não faz seis meses que Londrina definiu o dia do seu padroeiro e já tem gente querendo mudar a data. De acordo com a lei 9.005, de 20 de dezembro de 2002, regulamentada pelo decreto nº 806, o Sagrado Coração de Jesus é o protetor da cidade e, este ano, seu dia será comemorado no próximo dia 27, uma sexta-feira.
Os comerciantes não querem fechar suas lojas porque acreditam que serão prejudicados. Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina, Uzier de Carvalho, os estabelecimentos da periferia não respeitam feriados e os shoppings têm um regulamento próprio. ''Numa época de baixa nas vendas, é inoportuno deixar de trabalhar numa sexta-feira. Já que a data é móvel, por que não podemos comemorá-la no final de semana?'', questiona.
Para Ricardo Cortes, presidente do Conselho Nacional de Leigos da Arquidiocese de Londrina, um dia de reflexão não vai atrapalhar ninguém. ''Também sou empresário e sei que estamos passando por uma fase difícil, mas acho que lei existe para ser cumprida. Esta será a primeira vez que Londrina festejará seu padroeiro de fato e acho que isso é um direito que deve ser respeitado'', opinou.
Se o problema é o dia da semana, ele precisa ser resolvido logo. De acordo com Cortes, o Dia do Sagrado Coração de Jesus cairá sempre numa sexta-feira de junho, a exatos 50 dias depois da Páscoa. Até a sanção da lei, Londrina praticamente não comemorava seu padroeiro porque muitos acreditavam que o título era de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, cujo dia é 8 de dezembro, antevéspera do aniversário da cidade. ''Nesta época do ano, a alegação dos comerciantes para manter as lojas abertas é o Natal. Quando fizemos uma pesquisa com a população a maioria achou importante homenagear o padroeiro. Esperamos que todos participem'', adiantou.
Hoje, comerciantes e comerciários se reunem para discutir a convenção coletiva e, de acordo com Carvalho, eles deverão aproveitar a ocasião para entrar num acordo sobre o feriado. Para o vice-presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina, Manoel Teodoro da Silva, a data deve ser mantida independentemente do dia da semana. Na opinião dele, a queda nas vendas não pode ser usado como argumento. ''Isso acontece porque o trabalhador está perdendo cada vez mais seu poder aquisitivo'', afirma o sindicalista que defende uma reposição inflacionária de 19,36%.

mockup