Comércio puxa fechamento de vagas formais de trabalho
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terça-feira, 22 de março de 2016
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
O setor de comércio puxou a alta de desemprego registrada em fevereiro no Brasil e, de forma mais acentuada, no Paraná, segundo números do Cadastro Nacional de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Economistas avaliam que o mau desempenho do setor reflete o momento de arrocho na renda do brasileiro.
Em âmbito nacional, o mês passado terminou com o fechamento de 140,5 mil vagas formais de trabalho, uma retração de 0,26% no mercado de trabalho em comparação ao mês anterior. No acumulado do ano, já são 204,912 mil postos fechados (-0,52%) e, no acumulado dos últimos 12 meses, chegam a 1,7 milhão de empregos formais a menos (-4,14).
O comércio foi responsável por mais da metade das demissões (55,5 mil). A indústria de transformação foi a segunda que mais demitiu (-26,2 mil), seguida da construção civil (17,1 mil). Em âmbito nacional, apenas a administração pública teve saldo positivo nas contratações, de 8,6 mil. Em fevereiro de 2015, o resultado negativo foi de 2 mil vagas, mas bastante diferente do registrado em fevereiro de 2014, quando o saldo foi de 206,8 mil contratações.
No Paraná, fevereiro registrou 2.050 empregos formais a menos, uma retração de 0,26% em relação aos postos de trabalho de janeiro. Os setores que mais contribuíram para a queda foram o comércio (-2.310 postos) e a construção civil (-888 postos). Por outro lado, o setor de serviços, com saldo positivo de 908 contratações, e a agropecuária, com 576, amorteceram o impacto.
Nos dois primeiros meses do ano, o Paraná contabiliza declínio de 1.024 postos e, na série dos últimos 12 meses, a queda foi de 93,5 mil postos de trabalho, um acumulado de 3,41%.
Dentro deste contexto, Londrina aparece na 54ª colocação na evolução do emprego formal nas cidades paranaenses com mais de 30 mil habitantes, com o fechamento de 195 postos de trabalho. Curitiba aparece na 60ª posição, com 3.093 empregos a menos.
Incertezas
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) do Paraná Fabiano Camargo da Silva afirma que a incerteza econômica e política nacional atrapalha o mercado de trabalho. A redução do consumo e a dificuldade de acesso ao crédito acabam impactando diretamente no orçamento das famílias, que gastam menos. "Isso vai afetar o comércio e gerar desemprego", explica o especialista.
O diretor de Planejamento e Gestão da Federação de Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR), Rodrigo Rosalem, concorda que o desempenho do comércio paranaense é reflexo da queda das vendas, que é mais vertiginosa que o fechamento de postos de trabalho. "Nossa última pesquisa conjuntural identificou queda nas vendas de 17% no mês de janeiro em relação ao mesmo período do ano passado. Nenhuma empresa sobreviveria com uma queda dessas sem reduzir pessoal", afirma. Ainda de acordo com o economista, a retração no comércio paranaense é maior do que a média nacional.
Para ele, a natureza da crise atual é de falta de empregos e renda, que tem o efeito de uma bola de neve. "Sem vender, o comércio também compra menos da indústria, que acaba demitindo. Com mais demissões, o comércio vende ainda menos", afirma.
O consultor econômico da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Marcos Rambalducci, afirma que a retração nas vendas é maior que o declínio nos empregos. "Isso ocorre porque o dono de empreendimentos ainda tem esperança que as coisas melhorem, além do fato de precisar de mão de obra já capacitada", explica.



