O setor de comércio puxou a alta de desemprego registrada em fevereiro no Brasil e, de forma mais acentuada, no Paraná, segundo números do Cadastro Nacional de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Economistas avaliam que o mau desempenho do setor reflete o momento de arrocho na renda do brasileiro.
Em âmbito nacional, o mês passado terminou com o fechamento de 140,5 mil vagas formais de trabalho, uma retração de 0,26% no mercado de trabalho em comparação ao mês anterior. No acumulado do ano, já são 204,912 mil postos fechados (-0,52%) e, no acumulado dos últimos 12 meses, chegam a 1,7 milhão de empregos formais a menos (-4,14).
O comércio foi responsável por mais da metade das demissões (55,5 mil). A indústria de transformação foi a segunda que mais demitiu (-26,2 mil), seguida da construção civil (17,1 mil). Em âmbito nacional, apenas a administração pública teve saldo positivo nas contratações, de 8,6 mil. Em fevereiro de 2015, o resultado negativo foi de 2 mil vagas, mas bastante diferente do registrado em fevereiro de 2014, quando o saldo foi de 206,8 mil contratações.
No Paraná, fevereiro registrou 2.050 empregos formais a menos, uma retração de 0,26% em relação aos postos de trabalho de janeiro. Os setores que mais contribuíram para a queda foram o comércio (-2.310 postos) e a construção civil (-888 postos). Por outro lado, o setor de serviços, com saldo positivo de 908 contratações, e a agropecuária, com 576, amorteceram o impacto.
Nos dois primeiros meses do ano, o Paraná contabiliza declínio de 1.024 postos e, na série dos últimos 12 meses, a queda foi de 93,5 mil postos de trabalho, um acumulado de 3,41%.
Dentro deste contexto, Londrina aparece na 54ª colocação na evolução do emprego formal nas cidades paranaenses com mais de 30 mil habitantes, com o fechamento de 195 postos de trabalho. Curitiba aparece na 60ª posição, com 3.093 empregos a menos.

Incertezas
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) do Paraná Fabiano Camargo da Silva afirma que a incerteza econômica e política nacional atrapalha o mercado de trabalho. A redução do consumo e a dificuldade de acesso ao crédito acabam impactando diretamente no orçamento das famílias, que gastam menos. "Isso vai afetar o comércio e gerar desemprego", explica o especialista.
O diretor de Planejamento e Gestão da Federação de Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR), Rodrigo Rosalem, concorda que o desempenho do comércio paranaense é reflexo da queda das vendas, que é mais vertiginosa que o fechamento de postos de trabalho. "Nossa última pesquisa conjuntural identificou queda nas vendas de 17% no mês de janeiro em relação ao mesmo período do ano passado. Nenhuma empresa sobreviveria com uma queda dessas sem reduzir pessoal", afirma. Ainda de acordo com o economista, a retração no comércio paranaense é maior do que a média nacional.
Para ele, a natureza da crise atual é de falta de empregos e renda, que tem o efeito de uma bola de neve. "Sem vender, o comércio também compra menos da indústria, que acaba demitindo. Com mais demissões, o comércio vende ainda menos", afirma.
O consultor econômico da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Marcos Rambalducci, afirma que a retração nas vendas é maior que o declínio nos empregos. "Isso ocorre porque o dono de empreendimentos ainda tem esperança que as coisas melhorem, além do fato de precisar de mão de obra já capacitada", explica.

Imagem ilustrativa da imagem Comércio puxa fechamento de vagas formais de trabalho
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