O aumento da CPMF deverá ter reflexos negativos nas vendas do próximo Natal, segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina, Igarassu Louzada (foto). Ele prevê uma queda de 5% a 10% em relação ao Natal passado por conta da reação da população brasileira ao pacote anunciado ontem pelo governo. ‘‘Assustadas, as pessoas já não estavam saindo às ruas para não gastar. Agora, vão segurar ainda mais o consumo’’. Até o mês passado, Louzada apostava em vendas iguais ao final de ano de 97. ‘‘O pacote veio em má-hora. O País já estava estagnado por causa das altas taxas de juros’’.
A partir de janeiro, Louzada acredita que se estabelecerá um quadro ainda mais negro do que o atual no País. ‘‘O desemprego no setor varejista deve aumentar cerca de 15% até abril do próximo ano devido as novas medidas e muitas empresas fecharão as portas’’, prevê ele.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, não acredita em reflexos neste ano. Orsi espera um incremento de 5% a 10% nas vendas deste Natal em relação ao ano passado, ‘‘que não foi um bom Natal por causa da alta de juros’’. ‘‘A Acil fará uma promoção com sorteios diários para tentar alavancar as vendas deste final de ano. A CPMF só deverá aumentar em janeiro. Aí sim as vendas vão cair’’, afirmou. Orsi disse que o aumento da Cofins transforma o governo num sócio da empresa. ‘‘É inviável pagar 3% sobre o faturamento bruto. O setor produtivo mais uma vez está tendo que assumir a incapacidade de gerenciamento do governo. Desde o início do plano real, os empresários estão fazendo ajustes para se adequar a nova realidade e, até agora, o governo não fez isso’’.

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