A alta nos juros da taxa Selic – de 16,25% para 16,75% ao mês –, decretada anteontem pelo Copom, deve levar os empresários a colocar o pé no freio. Mas o que mais assusta, segundo o empresário Celso Gusso, da Arauplast, é o acúmulo de aumento continuado das taxas, que desde março já subiu 1,5%. Com isso fica cada vez mais difícil para a indústria negociar com o varejo que compra a prazo, justifica.
O comércio prevê desaquecimento nas vendas. De acordo com Vamberto Santana, assessor econômico da Federação do Comércio do Paraná, a alta dos juros leva o empresariado a tentar elevar o preço de sua mercadoria. ‘‘Ele sabe que quando tiver que repor a mercadoria na loja, não terá as mesmas condições da última negociação na Indústria’’, explica.
Para Gusso, uma alteração dessas no mercado dificulta que o setor atenda os prazos solicitados pelo varejo. O empresário prevê que cada indústria vai trabalhar no limite de sua disponibilidade financeira. ‘‘Hoje qualquer centavo a mais pesa no custo da empresa’’, destaca.
O economista Cid Cordeiro, do Dieese avalia que a alta nos juros será repassada ao consumidor em 10 dias. Ele chama a atenção que apesar dos efeitos negativos, essa elevação é uma forma de controlar as pressões inflacionárias. Ou seja, o governo transfere para as empresas o ônus de assumir o aumento da taxa de juros, sem repassar para o consumidor. Com os juros em alta, o consumo se retrai e as empresas tem menos poder para repassar os aumentos.
Apesar disso, Cordeiro considera que essa opção é perigosa porque a taxa de juros voltou a ficar uma das mais altas do mundo. Tudo isso é reflexo da deterioração muito rápida da economia brasileira que começou com a crise argentina, a desaceleração da economia americana e agora o racionamento e a desvalorização cambial.

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