Comércio prevê que 13º será usado nas dívidas
Carmem Murara
De Curitiba
Os trabalhadores começam a partir de hoje a utilizar a antecipação do 13º salário para quitar dívidas assumidas no comércio ou em bancos. Segundo a Caixa Econômica Federal, as empresas paranaenses terão que pagar cerca de R$ 400 milhões referentes à primeira parcela do salário extra do final de ano. Os lojistas estão otimistas e estimulam o consumidor a limpar o nome na praça, pois isso representa injetar dinheiro novo no comércio varejista, mesmo sendo de forma indireta. A parcela complementar do 13º pode ser paga até o dia 20 de dezembro.
A campanha para forçar o pagamento das prestações atrasadas no crediário tem a intenção de estimular as pessoas a assumir futuras dívidas com as compras de Natal. Mas para ter um novo crediário não é possível estar inscrito na lista do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Esta relação aponta quem está em dívida e restringe o acesso a novas compras a prazo.
Na avaliação feita pelos lojistas em Curitiba, os consumidores estão cientes de que não podem mais continuar no vermelho, pois a dívida aumenta de maneira astronômica devido às taxas de juros. Os juros no cheque especial e nas financeiras chegaram a 15% ao mês, no primeiro semestre, e agora variam entre 6% e 10%, conforme a empresa ou banco. Uma dívida no cartão de crédito salta de R$ 1 mil para quase R$ 1,8 mil num prazo de seis meses, caso a taxa seja de 10,27%.
O vice-presidente da Associação Comercial, Élcio Ribeiro, avalia que a antecipação do 13º representa recuperar o poder de compra do consumidor. A inadimplência atinge cerca de 30% da população economicamente ativa, índice que tem apresentado uma redução nos últimos meses. No mês passado, houve uma redução de 0,24% na inadimplência. Ao saldar suas dívidas, o consumidor se prepara para o Natal, afirmou. Ele disse que as vendas natalinas vão se concentrar apenas nas semanas que antecedem o dia 25 de dezembro.
A estimativa dos lojistas é que haja um aumento entre 10% e 12% nas vendas deste ano sobre o ano passado, quando as vendas já estavam aquecidas. Em 1998, os lojistas venderam 12% a mais em relação a 97. Mas o aquecimento nas vendas não representa maior lucro. Enquanto o faturamento deve aumentar em média 10%, o lucro deve cair em torno de 8%. O comércio está com os preços congelados há vários meses e continuamos a ter uma inflação, disse o vice-presidente da ACP. Uma pesquisa feita nos dias 10 e 11, em 138 empresas, mostrou que o consumidor deverá gastar em média entre R$ 30 e R$ 50 em presentes de Natal.





