Comércio prevê alta na inadimplência
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sexta-feira, 11 de setembro de 1998
Vânia Casado 
A alta dos juros nos financiamentos à prazo deverá provocar novas quedas nas vendas do comércio e elevar a inadimplência no comercio, que ainda está alta, no patamar de 41%. A previsão é do vice-presidente da Associação Comercial do Paraná, Elcio Ribeiro, que manifestou ontem a preocupação dos empresários do comércio varejista de Curitiba com relação aos rumos da política econômica no País. A ACP acredita que as vendas no comércio deverão cair 20%.
As taxas de juros praticadas no comércio que estavam em 6% ao mês deverão chegar a 9% na semana que vem e a preocupação é que atinjam 12% em pouco tempo. Para Ribeiro, os bancos e financeiras que financiam o comércio não deverão repassar a alta dos juros de uma vez e sim de forma escalonada. Com isso, os setores mais afetados com a queda nas vendas serão aqueles vinculados a financeiras para alavancar as vendas como o automotivo, eletrodomésticos e eletroeletrônico.
Ribeiro não acredita numa corrida às lojas neste final de semana, de consumidores procurando taxas antigas, porque o crédito pessoal dos bancos e financeiras está suspenso. Além disso, as financeiras reduziram em 40% o crédito ao comércio varejista. Como consequência do aperto financeiro, as lojas deverão reduzir drasticamente as parcelas de pagamento na venda dos bens. Para Ribeiro essa medida também vai contribuir com a queda nas vendas, porque existe uma faixa de consumidores que não consegue comprar bens duráveis sem recorrer ao crediário.
Ele disse que não deverá haver remarcação de preços de imediato. Isso vai depender do estoque de matéria prima da indústria. Essa avaliação vale também para o período de Natal. Para Ribeiro, se a indústria tiver estoques para 90 dias, certamente o fornecimento do comércio no final do ano não será afetado.
O empresário lamentou essa alta na taxa de juros, justamente agora em que o comércio estava animado com a queda no nível de inadimplência de 2,8%, registrada em agosto. Era pouco, mas foi a primeira vez que o o índice representou o início de recuperação da inadimplência que vinha crescendo em torno de 2,5% ao mês, desde janeiro de 1997, avaliou Ribeiro. Para evitar a elevação da inadimplência a ACP recomenda que os lojistas sejam mais rigorosos na concessão de crédito ao consumidor. Eles devem recorrer mais aos serviços de videocheque e do Serviço Central de Proteção ao Crédito - SCPC.
Para Ribeiro, os lojistas devem ser mais cautelosos nessas épocas de crise, porque já vinham trabalhando com margens estreitas e agora a situação deverá se agravar. Para o empresário o comércio não aguenta mais essa turbulência. Ele disse que todos vão sofrer com essa situação, as grandes redes de lojas porque vão vender menos no crediário e as pequenas lojas, pela falta de capital de giro e período muito longo de vendas baixas.
Ribeiro disse que ainda é cedo para fazer previsões sobre demissões no comércio, mas salientou que a contratação de serviços temporários no final do ano está comprometida. O emprego no comércio estava em queda. No começo do ano haviam 254.000 pessoas empregas por 6.500 empresas filiadas à ACP e em julho, eram 248.000 pessoas empregadas. Os lojistas estão desanimados e se tiverem um natal semelhante ao do ano passado, que já foi desastroso, está bom, conforma-se.


