Comércio perdeu R$ 20 bi com a inadimplência em 97
Comércio perdeu R$ 20 bi
com a inadimplência em 97
Calote atingiu média de 12% no ano passado e deve crescer em 98
Agência Estado
Arquivo Folha
Sem defesaSustação de cheques pelo consumidor, agora mais simples, aumenta e é a nova preocupação dos lojistasO faturamento do comércio varejista em 1997 foi de R$ 180 bilhões, sendo que deste total, R$ 20 bilhões não foram pagos pelos clientes, o que significa uma inadimplência de 12%, na média, sobre as vendas do comércio, segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Conforme o presidente da CNDL, Carlos José Stupp, dos 2,9 bilhões de cheques compensados no País, no ano passado, 20 milhões e 300 mil foram devolvidos por falta de fundos, ou seja, em cada mil cheques compensados, sete foram devolvidos.
Stupp diz que se o ano passado foi ruim, este ano deverá ser pior. Somente no primeiro trimestre de 1998, foram devolvidos em média 9,8 cheques em cada mil que foram compensados. Stupp diz que somente no mês de março deste ano, em cada mil cheques compensados, 10,8 foram devolvidos por insufiência de fundos. Ele ressalta que este grau de inadimplência não expressa uma outra realidade que tem tirado o sono dos lojistas: a sustação de cheques pelos clientes, que tem crescido de forma assustadora.
O presidente da Confederação de Dirigentes Lojistas assegura que a sustação de cheques, que pode ser feita ao banco pelo detentor da conta corrente e passou a ser feita mediante o simples uso do telefone, se transformou em um dos grandes problemas de inadimplência.
Segundo ele, o comércio ainda não está conseguindo medir o estrago causado pela sustação, porque a Centralização dos Serviços Bancários (Serasa) não concluiu o levantamento que está fazendo para detectar o número de cheques que estão sendo sustados. A sustação se transformou no grande calote da praça, porque o cliente não precisa apresentar notificação policial ou do Procon (Coordenadoria de Defesa do Consumidor), observa Stupp.
O comércio varejista, segundo o presidente da Confederação de Dirigentes Lojistas, está ficando cada vez mais sem defesa diante do crescente aumento de cheques sustados e sem fundos, incluindo os pré-datados. Segundo ele, a recuperação desses créditos é muito difícil, porque os comerciantes têm que entregar a cobrança a empresas especializadas nesse tipo de serviço. Essas, por sua vez, cobram, normalmente, 20% sobre o valor dos créditos a serem recuperados. Isso significa, observa ele, que para recuperar os R$ 20 bilhões do ano passado, haveria um custo de R$ 4 bilhões, em média.
Stupp não tem dúvidas de que este novo calote vem atingindo o comércio de forma generalizada, com ênfase especial em um segmento: os postos de gasolina que, conforme ele, operam, na grande maioria, quase só com cheques. Diante dessas circunstâncias, Carlos Stupp diz que os lojistas devem se organizar para selecionar os bons clientes.
Uma alternativa que está sendo estudada pela Confederação de Dirigentes Lojistas, segundo ele, é a criação de um bureau positivo de clientes. Seria, na realidade, um banco de dados com todas as informações sobre os bons clientes.





