Comércio perde o pique em agosto
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de outubro de 2004
Adriana De Cunto<br> Equipe da Folha 
Curitiba Agosto não foi um bom mês para o comércio varejista em todo o Brasil. A pesquisa mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que, apesar das vendas continuarem aumentando pelo nono mês consecutivo, houve uma desaceleração no ritmo de crescimento. A expansão, no mês passado, foi de 13.20% na receita nominal e de 7,53% no volume de vendas. Foi a primeira queda no ritmo de crescimento desde abril. Em julho, a receita nominal foi de 16,60% e o volume de vendas, 12,04%.
No acumulado dos oito primeiros meses de 2004, as taxas foram de 11,95% na receita nominal e de 9,45% para o volume de vendas. Este último resultado também indica diminuição no ritmo de expansão do varejo. Já o acumulado dos últimos 12 meses continuou ascendente: 11,80% na receita e 5,83% no volume.
A maior contribuição para o declínio na taxa de crescimento do varejo entre julho e agosto veio do setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que reduziu de julho para o agosto o volume de vendas de 10,40% para 4,06%. O volume de vendas acumulado pelo segmento nos oito primeiros meses do ano registrou aumento de 5,86% com relação ao mesmo período de 2003, abaixo da taxa obtida no acumulado janeiro-julho (6,12%). Já o acumulado dos últimos 12 meses manteve-se crescente: 3,08% em agosto contra 2,23% em julho.
Ainda com relação ao volume de vendas, vinte e cinco dos 27 Estados brasileiros cresceram em relação a agosto de 2003. As duas exceções foram Tocantins (-4,67%) e Goiás (-0,59%). As maiores taxas ocorreram em Rondônia (24,05%), Acre (22,01%), Amazonas (21,57%), Mato Grosso (21,28%) e Alagoas (17,41%). As maiores contribuições ao desempenho global do varejo (7,53%) vieram do Rio de Janeiro (8,55%), Santa Catarina (8,20%), Minas Gerais (7,79%), Paraná (7,72%), Rio Grande do Sul (6,47%) e São Paulo (6,30%).
Das cinco atividades do varejo cuja base de dados foi definida pela amostra selecionada em 2000, quatro registraram aumento no volume de vendas em relação a agosto de 2003: móveis e eletrodomésticos (29,50%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (4,06%); combustíveis e lubrificantes (1,78%); e veículos, motos, partes e peças (32,20%). O resultado negativo ocorreu em tecidos, vestuário e calçados (-0,02%). Neste grupo de atividades apenas veículos, motos, partes e peças que não entra na composição da taxa global do varejo ampliou a taxa de crescimento.
Entre as novas atividades pesquisadas amostra definida em 2003 houve alta no volume de vendas de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (10,84%), equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (7,36%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (13,65%) e em material de construção (9,78%). Somente o ramo de livros, jornais, revistas e papelaria teve queda (-0,35%).


