Comércio perde 40% dos hortigranjeiros
Comércio perde 40% dos hortigranjeiros
Parte dos hortifrutigranjeiros à venda no comércio atacadista e varejista vai para o lixo
Vânia Casado
Estima-se que 40% da produção de hortifrutigranjeiros são perdidas em função do manuseio excessivo desde a propriedade até chegar ao consumidor final. O índice pode variar de produto para produto, mas foi o suficiente para assustar os dirigentes da Ceasa do Paraná, afirmou o diretor técnico do órgão, Julio Minioli. As perdas de hortifrutigranjeiros não é preocupação somente dos atacadistas paranaenses. Recentemente, um levantamento dos supermercadistas brasileiros apontou que o setor deixa de arrecadar cerca de R$ 4 bilhões por ano com a perda de 13 milhões de toneladas desses produtos, que vão para o lixo.
Para evitar o desperdício desses alimentos, a Ceasa do Paraná vai deflagrar uma ampla campanha, que será lançada até o final de junho. O movimento deverá envolver toda a cadeia produtiva, do agricultor ao feirante. Deverão participar da campanha diversos órgãos públicos e da iniciativa privada como a Ceasa, Ministério da Agricultura, Emater, Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Sindicato dos Atacadistas de Curitiba, Associações de Produtores e Associação Paranaense de Supermercados.
É a primeira vez que uma campanha vai envolver diretamente os produtores, salientou Minioli. Isso porque as perdas dos hortifrutigranjeiros podem começar com a escolha de variedade inadequada, semeadura em solo contaminado por pragas e erros na aplicação de adubos e defensivos. Na hora de colher, a maneira rústica como os produtos são tirados do solo e jogados em caixas pode comprometer a sua qualidade. Em seguida, vem o transporte, muitas vezes em estradas de terra, esburacadas, com os produtos espremidos em caixas, sendo submetidos a todo tipo de choque e impacto.
Ao chegar no mercado atacadista, o descarregamento dos produtos leva novamente ao desgaste do produto. Finalmente, quando o produto chega ao varejo, o produto é novamente depreciado com o manuseio da dona-de-casa, que acaba ferindo as frutas e legumes, levando ao apodrecimento que vai contaminar os demais produtos do lote.
Para Minioli,o ideal é que os produtos já saissem embalados da propriedade, para evitar o contato manual que prejudica a qualidade dos produtos. Como essa operação ainda é inviável, porque requer treinamento, orientação ao produtor e investimentos em caixaria, a Ceasa está buscando essa parceria para ampliar o controle da qualidade de frutas e legumes, acrescentou.
Padronização e classificação
Com a nova orientação que será transmitida através da campanha, o produtor deverá classificar melhor e padronizar o seu produto. Miniolli citou como exemplo o tomate, que deverá ser acondicionado separadamente para fazer saladas ou molhos.





