Agência Folha
O embaixador do Brasil na Argentina, Sebastião do Rego Barros, previu ontem, em almoço realizado na Federasul (Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul), em Porto Alegre, que o Mercosul registrará a primeira ‘‘quebra comercial’’ da sua história. Ou seja, pela primeira vez em nove anos, o volume total de negócios, incluindo exportações e importações, diminuirá. Para corroborar sua previsão, o embaixador mostrou números mais recentes do comércio entre Brasil e Argentina (principais parceiros do bloco, que tem ainda Paraguai e Uruguai) de janeiro a maio.
De acordo com os números, entre janeiro e maio, em relação ao mesmo período no ano passado, caíram 27% as exportações brasileiras para a Argentina e 29,6% as exportações argentinas para o Brasil. A balança comercial entre Brasil e Argentina registrara, entre janeiro e maio de 1998, US$ 2,780 bilhões de exportações brasileiras e US$ 3,247 bilhões de exportações argentinas. Em 1999, no mesmo período, o Brasil exportou US$ 2,029 bilhões para a Argentina e importou, do seu parceiro comercial, US$ 2,284 bilhões.
Os setores brasileiros mais afetados foram o de minerais (queda de 57,5%), materiais de transportes (39,4%), vegetais (31,7%), máquinas e materiais elétricos (28,3%), metais (24,7%), produtos pecuários (24,%), plásticos e borrachas (22,8%), químicos (19,4%), têxteis (18,7%) e alimentícios
(11,6%).
Rego atribuiu a retração não apenas à desvalorização da moeda brasileira, mas também à existência de um quadro recessivo nos dois países. O embaixador disse que os avanços do Mercosul estão aquém das expectativas de Brasil e Argentina, havendo uma espécie de letargia.
Rego defendeu o ajuste fiscal nos dois países como medida essencial para a retomada do Mercosul e, ao defender a constituição de uma moeda única do Mercosul, foi além. ‘‘Devemos começar pela área fiscal’’. A Argentina, segundo Rego, não vai dolarizar sua economia. ‘‘Foi apenas uma ameaça para mostrar ao mercado a confiança na atual política cambial do país.
Mesmo apresentando dados negativos, o embaixador afirmou que acredita na retomada do Mercosul assim que os comércios dos países se recuperarem.
Blair não vem O encontro de cúpula entre os 15 países-membros da União Européia (UE) e os 34 da América Latina e do Caribe, marcada para o final do mês, no Rio de Janeiro, sofreu um novo estremecimento ontem com a desistência do primeiro-ministro britânico Tony Blair em comparecer à reunião. Ele estará envolvido nas negociações de paz na Irlanda do Norte na época do encontro e não comparecerá.
O encontro tinha como um dos principais temas a discussão sobre a implantação de uma área de livre comércio entre a UE e o Mercosul. A França, porém, anunciou o veto à inclusão da questão da agricultura como acordavam com o item e com o início das negociações em comum. A notícia enfraqueceu as expectativas de um acordo comercial entre os dois blocos. Sem a presença de Blair, a discussão fica ainda mais distante.

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