Quase seis meses depois do vencimento da convenção coletiva, os sindicatos patronal e de trabalhadores do comércio, Sincoval e Sindecolon, ainda não conseguiram chegar a um consenso para renová-la. Na última quarta-feira, o juiz da 7ª Vara do Trabalho, Mauro Vasni Paroski, tentou intermediar um acordo. O impasse permanece em torno do trabalho aos sábados.
O Sincoval quer o direito de abrir as lojas todas as tardes de sábados. O sindicato dos empregados aceita, desde que o empregador faça uma escala pela qual quem trabalhou na tarde do primeiro sábado folgue na tarde do seguinte, e assim por diante. "Tem que ter esse revezamento", afirma o presidente do Sindecolon, José Lima Nascimento.
Os patrões dizem que o revezamento só deve ocorrer a partir do terceiro sábado. "Nos dois primeiros, os próprios vendedores fazem questão de trabalhar porque o movimento é grande e a comissão é melhor", rebate o assessor jurídico do Sincoval, Ed Nogueira de Azevedo.
Além do revezamento durante todo o mês, os empregados querem que as horas trabalhadas nas tardes de sábado sejam remuneradas como extras com 100% de indenização sobre o valor da hora normal. Os patrões alegam que a Constituição proíbe o trabalhador de fazer mais que duas horas extras por dia e propõem um adicional. "Não podemos chamar de hora extra. Mas o Sincoval se compromete a remunerar os empregados com valores equivalentes ao dobro da hora normal", afirma Azevedo.
Nascimento diz desconhecer que os patrões tenham feito essa proposta. Afirma que estudará "com carinho" se recebê-la oficialmente. Mas adianta que vê desvantagem para os trabalhadores. "Se vir em forma de abono, os valores não repercutem sobre férias e 13º", avalia.
Enquanto os sindicatos não chegam a acordo, patrões e empregados divergem sobre a viabilidade econômica do trabalho em todas as tardes de sábado. Nas menores lojas do centro da cidade, é difícil encontrar quem defenda a medida. Supervisora de Vendas das Casas Ajita, Regiane Aparecida Biral é uma das poucas. "A gente já teve experiência de abrir no terceiro sábado e foi bom. Ninguém reclamou. Se recebermos hora extra e almoço, acho que é válido", defende.
Já Cleide Mota, gerente da loja Pé Quente, tem opinião contrária. "Não compensa por causa dos custos de horas extras com funcionários", afirma. A vendedora Maria José Antonio, da Mega Feira Escolar, também é contra. "Trabalhando todo sábado à tarde eu mantenho meu emprego, mas perco a minha família", diz ela. As horas extras, no entendimento de Maria José, não compensam o tempo que ela perderá de convívio familiar.
Opinião parecida tem Walisson Isidro, vendedor da Nykkon. Ele é estudante e costuma viajar para a casa da família nos finais de semana. "Teria que ter um benefício maior que hora extra para compensar para mim. Só as horas extras não resolvem meu problema", declara. Da Audithorium, o vendedor Douglas Codrignani acredita que, além de horas extras, poderia ganhar mais em comissão se o comércio abrisse todas as tardes de sábado. "Acho que para mim compensaria", declara.

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