Comércio na reta final para esvaziar as prateleiras
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domingo, 15 de dezembro de 1996
Carmem Murara<br> Sucursal de Curitiba 
O comércio se prepara para enfrentar uma legião de consumidores que vai aproveitar a última semana antes do Natal para fazer as compras. Os lojistas esperam vender pelo menos o dobro do que venderam nas duas primeiras semanas de dezembro e, desta maneira, desovar o estoque de produtos natalinos. A previsão é da Câmara dos Dirigentes Logistas de Curitiba. Os números são baseados nas vendas de 95.
As vendas têm apresentado um crescimento constante desde o início deste mês. Mas ao contrário de anos anteriores, até agora não houve explosão de consumo. Como o preço dos produtos não muda, as pessoas não vêm tanta urgência em comprar os presentes, diz o presidente da Associação dos Lojistas do Shopping Mueller, Nelson Barbalat. A previsão dos lojistas é de aumento do volume de vendas, que deve girar entre 6% e 12% em relação ao ano passado.
A gerente de Marketing do Shopping Curitiba, Simone Casteli, concorda com o presidente da Associação dos Lojistas do Mueller. Ela diz que o aumento do consumo está acontecendo aos poucos desde o início de dezembro. O consumidor não tem pressa, porque o preço não muda. O maior movimento no shopping foi registrado no último domingo. A expectativa era que o número de pessoas dobrasse neste final de semana.
Em relação ao ano passado, os lojistas perceberam um aumento gradual nas vendas a partir do dia 7 de dezembro, quando foi pago o salário dos funcionários. A primeira semana do mês serviu mais para as pessoas saírem às ruas para fazer as pesquisas de preços e produtos. Mas ao contrário de 95, neste ano os consumidores se anteciparam um pouco nas compras.
Segundo levantamento da Associação dos Diretores do Shopping Mueller, em 95 as compras aumentaram a partir de 15 de dezembro. Este ano, desde o dia 9 ou 10 de dezembro já tínhamos maior número de compradores circulando com pacotes e sacolas pelo shopping, constata Nelson Barbalat.
A grande expectativa de vendas era para este final de semana, penúltimo antes do Natal. Os lojistas dos maiores shoppings de Curitiba armaram um esquema especial de vendas. O Shopping Curitiba abriu ontem e hoje das 10h da manhã até as 22h.
Invasão chinesa Os produtos chineses invadiram as lojas que vendem brinquedos para as crianças e acabaram por desbancar os produtos nacionais. De cada dez produtos que estão na prateleira, pelo menos oito são made in China. O preço é o fator preponderante que estimulou lojistas e consumidores a optar pelas marcas estrangeiras.
A diferença pode ser comparada entre uma boneca Barbie, da fábrica paulista Estrela, e uma Debby, da China. A primeira boneca custa entre R$ 27 e R$ 51. A segunda pode ser encontrada por R$ 6,99. A chinesa Talking Debby, modelo que fala, custa um pouco mais caro, R$ 19,69. Entre o produto nacional e o estrangeiro, a diferença chega a ser quase de 300%.
Um das lojas que adotou os importados como opção de compra foi a Lojas Americanas. Quem anda pela seção de brinquedos tem dificuldade de encontrar os produtos nacionais. Este ano é tudo made in China, brinca a dona de casa Maria Aparecida Geron.
A Associação Brasileira da Indústria de Brinquedos (Abrinq) admite que os importados vieram para roubar o espaço do mercado nacional. Mas estima que a predominância dos importados em algumas lojas, como a Americanas, não se repete na maioria e que no final das contas eles representam apenas 15% do mercado.


