Comércio internacional é prioridade para País
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sexta-feira, 02 de março de 2001
Agência Estado De Washington 
O ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, ressaltou ontem, durante entrevista coletiva que encerrou sua visita de uma semana aos Estados Unidos, que a prioridade do Brasil neste momento é obter uma participação maior no comércio internacional. Essa prioridade passa pelo acesso aos mercados e pela melhora do nosso desempenho exportador, afirmou.
Segundo Lafer, o Brasil está pronto a negociar a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) à luz desse objetivo. O ministro ressaltou também que o déficit na balança comercial com os EUA legitima essas discussões sobre acesso aos mercados, principalmente em relação a produtos como aço e açúcar, entre outros.
Perguntado se as questões de acesso a esses mercados seriam esclarecidas na visita que o presidente Fernando Henrique Cardoso fará ao presidente americano, George W. Bush, antes da reunião de Cúpula da Alca em Quebec, em abril, Lafer respondeu que essa foi uma questão discutida em sua visita aos EUA, mas nada ficou acertado.
A primeira visita do presidente Fernando Henrique Cardoso será, como toda primeira visita, uma oportunidade para os dois se conhecerem e ver aspectos comuns em vários assuntos, afirmou.
Ao ser indagado se a Alca era um destino para o Brasil, Lafer disse que o acordo não é o destino do Brasil como é o Mercosul. O Mercosul não é uma opção. É uma necessidade. É uma circunstância do Brasil. Já os Estados Unidos integram o nosso hemisfério, é um dado da nossa circunstância, mas não é o destino do Brasil, disse o chanceler.
O chanceler deu o seguinte recado ao representante de comércio dos Estados Unidos (USTR), Robert Zoellick: é indispensável para o Brasil tratar de subsídios agrícolas (créditos à exportação e incentivo à produção interna) e legislação antidumping para que se obtenha o acordo da Alca. A posição americana até o momento é de que eles não querem mexer tanto com os subsídios agrícolas nem querem mudar a sua legislação antidumping. Entendo que há interesses específicos de alguns setores nos Estados Unidos, mas esses são assuntos indispensáveis para que haja um acordo equilibrado para a Alca, afirmou Lafer.


