Como antecipou a FOLHA na semana passada, parte dos lojistas do centro da cidade optaram por fechar as portas no último sábado, dia 1º, e abrir ontem. A mudança de última hora teve maior adesão na Rua Benjamin Constant, onde a maior parte das lojas estava funcionando nesta segunda-feira. Já no calçadão, a maioria permaneceu fechada. Apesar disso, o movimento de consumidores era grande.
"Achei que todas as lojas estariam abertas hoje (ontem)", contou a vendedora Isabela Pontes, que foi ao centro em busca de uma geladeira. "Acho que eles não divulgaram direito", reclamou a zeladora Edith Maria de Jesus.
Pela convenção coletiva fechada no ano passado entre o sindicato dos empregados do comércio (Sindecolon) e dos empresários do setor (Sincoval), as lojas abririam no sábado, mas fechariam ontem para compensar o trabalho realizado no feriado municipal de 10 de dezembro (aniversário de Londrina). Na quarta-feira da semana passada, no entanto, um grupo de lojistas decidiu inverter essa programação, ou seja, fechar no sábado e abrir na segunda-feira.
"Valeu a mudança. Hoje (ontem), os bancos estão abertos e isso traz mais público para o centro. Se tivesse aberto no sábado, o movimento teria sido bem fraco", avaliou ontem à tarde o gerente da Darom Móveis da Benjamin Constant, Ademir Mendes. O dono da tabacaria Shisha Palace, Fábio Inoue, concordou. "Para mim está sendo uma segunda-feira normal. Com banco aberto, nosso movimento é maior." O gerente da Móveis Brasília, Valdecir Pachoal, disse que estava "recebendo pagamentos em carnês e vendendo" normalmente. "Está ótimo, valeu a pena a mudança", declarou.
Já Gildo Mendes Nóbrega, gerente da Magazine Luíza, disse que a experiência dos anos anteriores de abrir no sábado após o Natal não foi positiva. "O fluxo era muito pequeno. Achei bem melhor assim: fechar no sábado e abrir na segunda", ressaltou.
A professora Renata Alcine, de Cambé, não gostou de ter ido ao centro e encontrado a maior parte das lojas fechada. Para ela, teria sido melhor se a folga tivesse ocorrido no sábado. "Deveria ter emendado o feriado para todo mundo." A técnica de enfermagem Izabel de Oliveira foi ao centro só para pagar uma conta numa loja de departamento que estava fechada. "Meu medo agora é que me cobrem juros", reclamou. Já a dona de casa Ana Martos Marques sabia do risco de perder a viagem e ligou antes para a loja. "Só vim porque soube que estaria aberta", contou.

Sindicatos
O Sincoval não aprovou a mudança feita pelos lojistas de última hora. O advogado da entidade, Ed Nogueira de Azevedo Junior, disse que qualquer alteração nas regras previstas na convenção precisa ser feita por meio de acordo formal com o sindicato dos trabalhadores, o Sindecolon, com uma antecedência de três dias. "É o que estabelece o artigo 614 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho)", afirmou.
Segundo ele, os comerciantes que resolveram trabalhar ontem estão sujeitos a multas pelo Ministério do Trabalho. "Nós não aprovamos a mudança, que trouxe mais prejuízos que resultados. Tentamos organizar (o funcionamento do comércio) com antecedência. Não se pode mudar de última hora", criticou.
Já o presidente do Sindecolon, José Lima Nascimento, disse que algumas lojas procuraram a entidade na semana passada para negociar a mudança. E que houve acordo com algumas. "Vamos conferir quais as lojas que ficaram abertas e se elas fizeram acordo", contou. Segundo ele, o sindicato irá conversar com os trabalhadores daquelas que funcionaram sem prévia comunicação. "Os empregados é que irão determinar o que o sindicato irá fazer."

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