Doha - A já esperada retração que o comércio mundial deve ter em 2009, a primeira em 27 anos, chegará a 1%. A previsão é do economista-chefe do Banco Mundial, Justin Lin, a primeira autoridade a colocar uma cifra em um recuo que deve ser puxado não apenas pela recessão nas economias desenvolvidas, mas também pela redução da atividade na China.
Segundo as estimativas de Lin, o comércio exterior chinês no próximo ano não deve passar de 3,5%, depois de ter atingido o patamar de dois dígitos em 2006 e 2007. O forte declínio das exportações da China, explicou o economista, será um dos motivos que levarão o comércio global a ter o primeiro crescimento negativo desde 1982.
Embora ainda não tenha números sobre o comércio exterior do Brasil em 2009, Lin diz que o país não escapará da queda mundial. ''Mesmo com a diversificação do destino de suas exportações, o Brasil será afetado pelas quedas na demanda geral e nos preços das matérias-primas, e também pela escassez de crédito'', diz Lin.
Em um estudo divulgado durante a Conferência da ONU de Financiamento para o Desenvolvimento, em Doha, o Banco Mundial prevê ''uma dramática desaceleração no crescimento das exportações dos países em desenvolvimento'' em razão da recessão em países ricos.
Além disso, o volume de remessas de trabalhadores no exterior para países em desenvolvimento já começou a cair, diz a instituição, lembrando que esses recursos bateram a marca de US$ 250 bilhões em 2007.

mockup