Comércio global crescerá 6,5% em 2000
Do Financial Times
De São Paulo
O comércio mundial de bens aumentou 4,5% em 99, abaixo da média da década. No entanto, o índice disparou nos meses finais do ano e deixou claro que haverá um avanço significativo em 2000, anunciou ontem a Organização Mundial do Comércio (OMC).
A expectativa é que o volume de comércio internacional em 2000 suba 6,5%. O dado será ainda mais provável se houver uma recuperação na demanda da Europa Ocidental e do Japão. Em termos de valor, o comércio internacional atingiu US$ 5,46 trilhões em 99, batendo um recorde histórico.
Os países em desenvolvimento apresentaram forte desempenho, elevando suas exportações em mais de 8% e conquistando uma fatia de 27,5% do comércio internacional mundial sua participação mais alta do total global em 15 anos.
A América Latina, com exceção do México, apresentou seu pior desempenho econômico em uma década. Isso é explicável devido ao estímulo oferecido pela participação mexicana no Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), com os Estados Unidos e Canadá, disse Michael Finger, economista sênior da organização.
O relatório anual, calculado por especialistas da OMC com base em números preliminares oferecidos por cerca de 190 países, é visto amplamente como ótimo indicador da saúde da economia internacional.
Segundo o estudo, a produção econômica mundial estimada teve alta de 3,5% em 99, ante os 3% do ano anterior.
Finger disse que a alta do déficit norte-americano em conta corrente gera uma pequena dúvida quanto ao cenário. O déficit dos Estados Unidos não é sustentável e isso representa um grande risco para a segunda metade deste ano e para 2001, disse ele.
A entrada de capital para os Estados Unidos vinha até agora ajudando a cobrir o diferencial, mas não sabemos por quanto tempo isso se manterá, disse Finger. O relatório afirma que a demanda forte que se mantém nos Estados Unidos foi um dos motores da recuperação no ritmo de crescimento do comércio mundial no final do ano passado, depois de quase dois anos de declínio deflagrado pela crise asiática. A América do Norte, excluído o México, elevou suas exportações em 4,5% e suas importações em 10,5%.





