Curitiba - Diante do medo de não vender o esperado, o comércio antecipa as promoções para alcançar as metas traçadas antes da explosão da crise financeira mundial. A estratégia é considerada atípica para o fim do ano, data que o comércio mais fatura. Tradicionalmente, as queimas de estoque são em janeiro, quando aparecem os maiores descontos. No entanto, desde o início de dezembro muitas lojas baixaram os preços, esticaram os prazos de pagamento e aceitam negociação na boca do caixa para não perder a venda.
De acordo com a Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio), a medida é para manter o ritmo de crescimento das vendas de Natal dos últimos anos, e chegar a 9% de aumento em relação ao ano passado. A previsão era de 14%, segundo o presidente da Fecomércio, Darcy Piana.
No calcadão da Rua XV de Novembro, no centro de Curitiba, a concentração de consumidores era intensa ontem, um vai-e-vem frenético que refletiu nas lojas. O empresário Girrard Haidar comemora a alta de 40% no movimento na loja de sapatos de sexta-feira para ontem. Há artigos que chegam a 50% de desconto. Apesar da boa notícia, as vendas ainda estão 20% abaixo do esperado. ''Baixei os preços até o limite suportável, mas a incerteza de como vai ficar a economia no ano que vem é um vilão difícil de ser combatido'', afirma.
Em duas décadas na área, a gerente Fátima Souza diz que nunca viu promoção antes do Natal. Na loja onde trabalha, os artigos estão 15% mais em conta em relação a novembro. Ela calcula que o consumidor usou o 13º salário para pagar contas e limpar o nome. ''As vendas cairam 20% e precisamos reorganizar as metas. Acreditamos em vendas aquecidas pelos presentes de última hora'', diz.
O metalúrgico Adriano Navarro faz parte dos clientes assustados com a crise. Ele trabalha em uma montadora de veículos e teme demissão na volta das férias coletivas dadas pela empresa. Com medo de ficar endividado e sem emprego, ele apostou em presentes pagos à vista somente para a família. Parte do salário extra usou para sanar dívidas antigas. Ontem, ele e a esposa sairam para pesquisar preços de celular e tênis. O calçado ele encontrou por preço bom, mas o telefone deixou para depois. ''Até setembro tudo ia bem e eu pretendia gastar mais, mas agora a coisa mudou'', avalia.
Mas há previsões positivas, com cumprimentos de metas de vendas acima do planejado. É o caso de uma rede nacional de móveis e eletro-eletrônicos que apesar de não fornecer dados, o gerente Joel Marcos Aniceto afirma que dezembro começou muito fraco, agora está dentro do esperado. ''A meta inicial será ultrapassada até o final do mês'', comemora. A rede não fez promoções exclusivas para o Natal. A estratégia foi aumentar o número de dias de promoções relâmpagos e cobrir os valores da concorrência.

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