Grandes varejistas de bens duráveis e alimentos dizem que até fevereiro o ritmo de negócios estava no piloto automático, isto é, não precisava de grandes esforços para vender. Hoje, no entanto, é preciso muita ''ginástica'' para sustentar as vendas. Não é por acaso que todos os dias aparecem comerciais de TV anunciando promoções arrasadoras com a primeira parcela do crediário a ser paga só no segundo semestre.
''Houve uma acomodação nas vendas no segundo trimestre'', diz Rodolfo França Jr., diretor Comercial das Lojas Insinuante, rede que lidera o mercado de eletroeletrônicos e móveis no Nordeste com 250 lojas. Ele conta que encerrou o primeiro trimestre com crescimento entre 8% e 10% nas vendas na comparação com o mesmo período de 2007. Agora, porém, o volume de negócios ficou estável ante 2007. Até o Dia das Mães, a melhor data de vendas para o comércio depois do Natal, decepcionou. ''Esperamos um crescimento de 20% em relação ao ano passado e veio 10%.''
Para virar o jogo, França Jr. diz neste momento está renegociando preços, prazos e taxas com os fornecedores para dar um novo impulso às vendas. ''O mercado não está fácil. É preciso ser mais agressivo.''
A agressividade não resulta apenas da maior concorrência de outros varejistas de eletroeletrônicos e móveis, mas também da competição com outros produtos, como a prestação do carros zero-quilômetro que equivale a um forno de microondas ou um televisor de tela plana.
A Lojas Cem, outra importante rede mas com atuação no Sudeste do País, confirma a acomodação nos negócios, especialmente depois do Dia das Mães. Valdemir Colleone, supervisor geral da rede com 167 lojas espalhadas entre São Paulo, Minas Gerais, Rio e Paraná, diz que o Dia das Mães foi bom, mas abaixo do esperado.
Ele considera acomodação do consumo normal. ''A Selic subiu e houve um crescimento da inflação'', diz o executivo. Com isso, o ritmo de vendas parou de crescer na intensidade que vinha desde o início do ano.
Essa a acomodação já começa a ter impactos na indústria. Colleone, por exemplo, diz que as suas próximas encomendas serão proporcionais à desaceleração no ritmo de vendas.
Os fabricantes de produtos eletroeletrônicos já sentiram a mudança. ''O mercado diminuiu a velocidade de crescimento neste trimestre'', afirma Lourival Kiçula, presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros). (M.C.)

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