O resultado incomum da balança comercial paranaense em janeiro seguiu a linha do balanço em todo o Brasil, divulgado no início deste mês pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O País teve o maior deficit desde o início da série histórica em 1990, com US$ 15,968 bilhões em exportações e US$ 20,003 bilhões nas exportações, uma diferença de US$ 4,035 bilhões.
Economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher afirma que a queda foi pontual, principalmente pelo aumento de 55,7% nas importações de combustíveis e lubrificantes no mês, em relação ao mesmo período do ano passado. As importações de matérias-primas e intermediários também tiveram acréscimo de 7,9%. Porém, ele lembra que os negócios que envolvem petróleo no mercado internacional variam muito mês a mês, de acordo com a cotação. Como exemplo, cita que no mesmo período houve redução de 64,9% na importação de derivados no Paraná. A diferença, de US$ 321 milhões em janeiro de 2012 para US$ 112,8 milhões no último mês, representa mais da metade da queda total nas importações paranaenses no comparativo, que foi de US$ 316 milhões.
Para o diretor de pesquisas do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, outra questão que deve ser repensada é a política cambial. O governo federal tem segurado a desvalorização do real frente o dólar para conter a inflação, já que os produtos importados ficariam mais caros. "A indústria sofre com isso e o País não pode viver tanto tempo assim sem expansão do setor de manufatura", diz. Zurcher, porém, considera que é necessário também para o setor produtivo que a mudança cambial ocorra aos poucos. "É um processo demorado, porque também há necessidade de adaptação em indústrias acostumadas a comprar matéria-prima fora do País."
O economista da Fiep faz uma ressalva. Ele lembra que os dois primeiros meses do ano são considerados fora do normal, principalmente quando o Carnaval é em fevereiro e há redução do número de dias úteis. Por isso, diz que não é possível usar as estatísticas para embasar previsões de crescimento. Suzuki, do Ipardes, também diz que é preciso lembrar que as mercadorias entram pelo Paraná, mas também acabam em outros estados, o que cria dificuldades para a análise regional. (FG/Com Agência Estado)

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