Comércio exterior e normas ISO 9000
Cada vez mais se discute a importância do comércio exterior na geração de renda e emprego domésticos. Com as constantes restrições impostas pelo balanço de pagamentos ao crescimento da economia brasileira, a inserção do País no mercado mundial está na agenda de políticos, técnicos governamentais, economistas, empresários e da população em geral, na medida em que todos sentem os impactos das restrições acima apontadas.
Esta almejada inserção passa por questões que instituições como o IBQP já vem tratando há mais de cinco anos e que são fundamentais para a competitividade dos produtos nacionais frente aos estrangeiros, tanto no mercado doméstico quanto no mundial. Dentre elas, destacam-se a produtividade e a qualidade dos produtos oferecidos pelas empresas nacionais. No quesito Qualidade, a International Organization for Standardization (ISO) promove o desenvolvimento de padronização e atividades relacionadas com o intuito de facilitar a troca internacional de bens e serviços. Dentre as normas publicadas pela ISO, destacam-se as da família ISO 9000 que, em resumo, indicam se a administração da empresa adota procedimentos para assegurar aos seus consumidores a qualidade dos produtos ou serviços ofertados por ela.
Em se tratando de comércio exterior, no qual o consumidor muitas vezes não tem meios de comprovar a qualidade da administração da empresa e dos seus produtos ou serviços in loco, o uso das normas ISO 9000 é cada vez mais um requisito indispensável antes de se fechar um negócio. Apesar das falhas e problemas em se implantar o sistema na empresa, o empresário nacional deve se preocupar com este certificado, ainda mais com a crescente concorrência internacional. E esta preocupação deve também estar presente na pauta de reuniões de organizações empresariais.
Alguns dados podem servir para ilustrar a importância das normas no comércio mundial de mercadorias e serviços. Tomando como base alguns países asiáticos agressivos no comércio exterior, como China, Coréia do Sul e Japão, notamos que estes possuíam 10, 27 e 165 certificados em 1993, e passaram a 25.657, 15.424 e 21.329 em 2000, respectivamente. As exportações de bens e serviços destes países, em termos nominais, aumentaram em 280,82%, 134,25% e 43,56% respectivamente.
Por outro lado, o Brasil possuía 19 certificados em 1993, e passou a ter 6.719 em 2000. Apesar de ser um aumento considerável, ainda é muito pequeno quando comparado à China, Coréia do Sul e Japão. Se quisermos discutir a inserção do país e das nossas empresas no comércio mundial, devemos ter clara a importância da qualidade e produtividade para alcançarmos tal meta. Instituições como o IBQP, que se propõe a melhorar a produtividade e qualidade nas empresas, são imprescindíveis para o aumento das exportações e da geração de emprego e renda para a população.
- César Reinaldo Rissete é economista e consultor do IBQP.





