Comércio exterior do País já está no nível pré-crise
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segunda-feira, 02 de agosto de 2010
Sandra Manfrini e Eduardo Rodrigues<BR> Agência Estado 
Brasília - A balança comercial brasileira fechou o mês de julho com um superávit de US$ 1,358 bilhão, saldo 53,34% inferior ao verificado em julho do ano passado, quando a balança foi positiva em US$ 2,911 bilhões. Mas tanto as exportações (US$ 17,674 bilhões) quanto as importações (US$ 16,316 bilhões) em julho alcançaram o segundo melhor resultado da história para o mês, de acordo com dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O desempenho da corrente de comércio brasileira só ficou atrás do obtido em julho de 2008.
De janeiro a julho, a balança comercial acumula superávit de US$ 9,237 bilhões, saldo 45,1% inferior ao superávit de US$ 16,818 bilhões registrado em igual período de 2009. Apesar da queda no saldo, a corrente de comércio (soma das exportações e importações) no ano atingiu US$ 204,485 bilhões, valor 35,1% superior ao verificado no mesmo período do ano passado (US$ 151,368 bilhões), período em que as transações comerciais foram afetadas negativamente em razão da crise financeira internacional.
''Houve uma recuperação. O comércio exterior brasileiro já está no nível pré-crise, a um ritmo superior ao do ano assado e de vários outros anos'', afirmou o secretário de Comércio Exterior do MDIC, Welber Barral. No entanto, ressaltou ele, as transações com os Estados Unidos e a Europa ainda não apresentaram grande retomada. ''O desafio para o fim do ano é investir nesses mercados'', completou.
Além disso, apesar de o comércio em valores ter voltado ao nível próximo de 2008, a composição das exportações brasileiras desde então sofreu uma reviravolta. Com os altos preços das commodities no mercado mundial e a maior concorrência nos setores de mais tecnologia agregada, os produtos básicos passaram a ser o principal item nas vendas ao exterior, ocupando o espaço dos industrializados. Na comparação com os primeiros sete meses de 2009, os embarques de matérias-primas entre janeiro e julho deste ano cresceram 30,3%, enquanto as vendas de industrializados aumentaram apenas 24,2%. Em julho, porém, o crescimento nas vendas de industrializados superou por pouco o de matérias-primas, mas ainda assim se concentrou nos semimanufaturados de pouca tecnologia, como açúcar bruto e ligas de ferro.
Pelo lado das importações, destacou Barral, houve um grande aumento nas compras de bens de capital em julho, com expansão de 61,4% em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, o aumento que chama mais atenção é o das compras de automóveis no exterior, sobretudo da Argentina, Coreia do Sul e México.
Segundo Barral, um eventual esfriamento na economia brasileira, com menos apetite por consumo, pode afetar o ritmo das importações no segundo semestre, mas esse efeito ainda não foi sentido.


