Comércio espera um Natal 'gordo'
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de novembro de 2002
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba Um Papai Noel gordo e de saco cheio. Parece sonho, mas este é o cenário mais provável para o Natal, caso as expectativas dos setores representativos do comércio sejam comprovadas na prática. Entre os três maiores shoppings centers de Curitiba o otimismo é geral. Todos apostam em crescimento nas vendas, em índices que variam de 12% a 20% acima do mesmo período do ano passado.
As notícias são ainda mais animadoras não apenas para o comércio, mas também para a indústria brasileira. Ao contrário de 2000, quando o Natal foi marcado por ''lembrancinhas'' e ''presentes de R$ 1,99'', este ano o valor médio dos presentes deve ficar em torno de R$ 40,00. Pelo menos é o que revela uma pesquisa feita pela Associação Comercial do Paraná (ACP), em meados de setembro, para medir o nível de vendas do Dia das Crianças e Natal.
Questionados, os comerciantes responderam que compraram mais mercadorias do que em 2001, aumentando seus estoques para aguardar o Natal. E, em função da alta do dólar, quem vai marcar presença certa debaixo das árvores de Natal são os produtos nacionais. Essa tendência é confirmada pelas compras efetuadas pelo comércio, que preferiu fugir do câmbio alto e apostar na produção brasileira.
''O produto nacional vai ser a grande vedete do final de ano'', confirma o gerente geral do Shopping Curitiba, Carlos Torres, que prevê um aumento de 20% nas vendas este ano. ''Se a pesquisa confirmar, uma família com dois filhos, por exemplo, vai gastar no mínimo R$ 160,00'', comemora o vice-presidente da ACP, Élcio Ribeiro. Para ele, só produtos que não têm similar nacional, como a castanha, nozes e alguns eletroeletrônicos devem ter uma venda satisfatória.
A ACP acredita em um aumento médio de 3% a 4% em relação a 2001. Os números da ACP diferem daqueles esperados pelos shoppings porque a associação abrange todo o setor varejista do Estado, entre grandes e pequenos comerciantes. Mas, de acordo com Ribeiro, ''em uma economia razoavelmente estável este é um crescimento muito bom, principalmente se levarmos em conta que 2001 já foi um ano excepcional para o comércio''.
A ACP também acredita que o movimento para as compras de Natal comece mais cedo este ano. É que historicamente o trabalhador usa a primeira parcela do 13º salário recebida em novembro para saldar dívidas e só faz as compras em dezembro, com a segunda parecla. Este ano, no entanto, a maioria já pagou suas contas com a liberação do expurgo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) pela Caixa Econômica Federal. ''Com isso, ele já vai usar a primeira parcela do 13º para as compras'', prevê.
Para Lilian Vargas, diretora de Marketing do Shopping Crystal, outra característica esperada para este Natal é a predominância de compras à vista ou com poucas prestações. É que, apesar da ''poeira já ter baixado'' com o resultado das eleições, muitas pessoas, para ela, ''ainda estão incertas com relação ao futuro do Brasil''.


