Comércio espera recuperação com Dia das Crianças
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sábado, 27 de setembro de 2014
Mie Francine Chiba<br> Reportagem Local 
Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) mostra um consumidor brasileiro mais cauteloso neste Dia das Crianças. Segundo o estudo, o volume de vendas nesta data será apenas 1,5% maior que a verificada no mesmo período do ano passado. Este índice veio caindo ao longo dos anos: em 2010, por exemplo, o crescimento foi de 8,5%. A Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), por sua vez, espera uma recuperação do setor na data.
Nas lojas em Londrina, o consumidor mostra que os pequenos não deixarão de ser presenteados este ano, e que o valor do presente não é um grande problema. Os filhos da empresária Raquel Bravo Dagnoni, de 6 e 4 anos, ganham presentes no Dia das Crianças todos os anos. Ela afirma que, apesar de os filhos ainda não terem expressado seus desejos, vai comprar o que eles pedirem sem se preocupar tanto com o preço. "Só se for alguma coisa muito cara."
A avó e os pais de Maria Isabel, de cinco anos, adotam uma estratégia para que o ato de ganhar o presente não se torne algo supérfluo: a menina precisa ganhar 200 pontos por comportamento e tarefas realizadas no dia a dia. Os pontos são anotados em um painel. "Ela precisa ganhar presente por merecimento, tem que conquistar. Mas já está conseguindo", conta a avó Maria de Lourdes Moreira. Porém, no dia 12 de outubro, nunca faltou presente para Maria Isabel, nem para a sobrinha Emanuelle, de 7 anos. Maria Isabel já sabe o que quer ganhar: um tablet. Emanuelle ainda está em dúvida. A família se mobiliza para juntar dinheiro a fim de comprar os presentes mais caros.
A gerente da loja de brinquedos Bumerang, Jaqueline Moraes, conta que o Dia das Crianças e o Natal são datas em que os pais reservam para comprar os presentes mais caros, aqueles que não puderam adquirir durante o ano. Segundo ela, é comum eles comprarem pra os filhos produtos que chegam à faixa dos R$ 500 a R$ 900, como uma moto elétrica. Mas o ticket médio por cliente é mais baixo, de R$ 150.
Na opinião de Fernando de Moraes, diretor comercial da Acil, a expectativa é que o Dia das Crianças deste ano seja melhor que o do ano passado, e represente uma recuperação do comércio depois de um período de poucas vendas. "A situação veio dos meses da Copa. Agora deu uma melhorada e, em setembro, nos fortalecemos. Vendemos muito bem, com superação em relação ao ano passado. A expectativa é que vai vender, sim, e recuperar o que foi perdido."
Para a CNDL, a queda na projeção das vendas do Dia das Crianças tem relação com os juros elevados e a taxa de inflação, que diminuíram o poder de compra do consumidor fazendo com que ele fique mais cauteloso em relação ao orçamento. Por isso, as vendas à vista e de valores menores deverão ganhar mais espaço neste ano, acrescenta a Confederação. As compras parceladas, por outro lado, serão divididas em menos prestações.
Segundo Jaqueline, da Bumerang, as vendas para o Dia das Crianças deste ano devem seguir estáveis em relação à data do ano passado devido à abertura de novas lojas no comércio de Londrina. Já para Jaqueline Freitas da Silva, gerente da loja de brinquedos Zastras, as vendas devem ser até 50% melhores que as do ano passado, devido à reformulação do estabelecimento, que mudou de dono e agora oferece produtos de personagens, muito procurados nesta data. "Toda semana estamos recebendo produtos novos para atender o cliente no Dia das Crianças."


