A redução da CPMF – o chamado ‘‘Imposto do cheque’’ – deve repercutir positivamente no comércio, na opinião do presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi. Embora pequena, a diminuição da alíquota – de 0,38% para 0,30%, a partir de hoje – deve injetar R$ 250 milhões na economia nacional. ‘‘Parte disso, será canalizado para o comércio’’, prevê.
Transações bancárias passam a ser tributadas em 0,30% a partir de hoje, injetando R$ 250 milhões na economia
Os preços dos produtos devem sofrer reduções por conta da economia de R$ 0,08. Uma empresa com faturamento mensal de R$ 60 mil paga atualmente cerca de R$ 500 por mês de CPMF. ‘‘A diminuição do imposto representará uma economia de cerca de R$ 100, que será repassada aos preços das mercadorias. Mas, por ser pequena, deverá ser imperceptível para o consumidor’’, diz Orsi. ‘‘Já quando a CPMF passou de R$ 0,20 para R$ 0,38, a pressão nos preços foi expressiva’’, lembra.
Apesar de não acreditar em um grande acréscimo nas vendas locais, Orsi diz que qualquer redução de tributo cria uma reação psicológica positiva no consumidor.
Os comerciantes entrevistados ontem pela Folha estão desanimados quanto a uma possível migração do dinheiro do caixa do governo para as lojas. A maioria nem sabia que a CPMF diminuiria hoje. O gerente da Skina, Geremias Santos Pereira, conta que o movimento no comércio de Londrina vem caindo desde a semana passada. ‘‘A redução do imposto é inexpressiva. Ninguém vai sair às compras’’.
A funcionária Suelen Miranda, da Cecile Luz Bijoux, acredita que, com a economia, a maioria da população conseguirá comer um salgado a mais por mês.
A redução de R$ 0,08 na CPMF deve ter maior impacto em empresas de porte, com grande movimentação financeira e em aplicações de grandes somas, que não têm isenção do imposto, segundo alguns gerentes de bancos entrevistados pela Folha.
Tomando-se um valor hipotético de R$ 1 mil, o desconto atual de CPMF é de R$ 3,80. No acumulado do ano, porém, o desconto torna-se representantivo. Um trabalhador com rendimento total no ano de R$ 20 mil, paga R$ 76 de imposto. Neste caso, a redução de R$ 0,08 representa uma economia de R$ 16 por ano.
Numa negociação imobiliária, a redução pode ter impacto expressivo. Na venda de um apartamento de R$ 100 mil, a diminuição de R$ 0,08 representa R$ 80. ‘‘Não é muito, mas podemos dizer que a situação vai ficar menos pior’’, disse o imobiliarista Abílio Medeiros, que defende a extinção do tributo. ‘‘A CPMF é um confisco do governo’’.
Medeiros administra cerca de mil imóveis em Londrina. ‘‘O imposto equivale a remuneração de 15 dias da poupança. A CPMF passou a ser um componente de negociação na hora da venda de um terreno ou casa. Quando o valor é alto, o vendedor pede que a quantia seja paga em dinheiro para fugir da tributação. Tenho clientes que recebem R$ 10 mil por mês de aluguel de vários imóveis. No final de um ano, pagam R$ 400 de CPMF’’. O imposto do cheque será extinto em junho de 2002.

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