Comércio espera aumento de 15% nas vendas
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sábado, 22 de setembro de 2007
Marcelo Rehder<BR>Agência Estado 
São Paulo - O crescimento vigoroso da economia na primeira metade do ano e a perspectiva de que deve ser mantido o aumento da massa de salários e da oferta de crédito levam empresários da indústria e do comércio a apostarem num Natal com vendas até 15% maiores que as do mesmo período de 2006. Esse otimismo baseia-se também na perspectiva de queda nos preços de uma série de bens de consumo, como TVs de LCD e plasma e computadores, que devem chegar às prateleiras das lojas custando menos do que no Natal passado.
A Semp Toshiba, uma das líderes de vendas de TVs no País, espera um incremento de 15% no faturamento de televisores e aparelhos de som nos próximos meses, o que exige uma taxa de crescimento ainda maior da produção.
O diretor comercial da Semp Toshiba, Luís Freitas, acredita que o mercado vai absorver toda a produção, principalmente de TVs de tela plana e LCD, cujas vendas têm crescido com a redução de preços provocada pelo aumento da escala e barateamento das peças e componentes comprados no exterior. A valorização do real frente ao dólar também acirrou a concorrência das importações, principalmente da Ásia, cujos preços ficaram ainda mais atraentes com a escalada da moeda nacional.
Nesse cenário, não há aumento de custos para ser repassado às encomendas de fim de ano. Ao contrário, a expectativa da Semp Toshiba é de que seus produtos estejam em média 20% mais baratos que no Natal passado. No caso de TVs de LCD e DVD players, os preços estão 35% menores.
As Casas Bahia, maior rede de varejo de eletroeletrônicos e móveis do País, espera crescimento de 10% nas vendas de novembro e dezembro em relação a igual período de 2006. Michael Klein, diretor-executivo das Casas Bahia, conta que a rede aposta no aumento da demanda por TVs de 29 polegadas para cima, de tela plana, LCD e plasma, além de celulares, câmeras digitais, computadores e DVD players. A venda de computadores já acumula crescimento de 60% até agora.
Nas Lojas Cem, a expectativa é de aumento de 15% nas venda de fim de ano. ''Vai ser o Natal das TVs de plasma e LCD'', acredita Valdemir Colleone, supervisor-geral da rede.
Temporários - Na semana passada, a Cooperativa de Consumo (Coop) de Ribeirão Pires, no ABC paulista, iniciou a produção de 400 toneladas de panetones para as festas, volume 3% maior que o de 2006. Com mais de 1,33 milhão de cooperados, a Coop é considerada a maior cooperativa de consumo da América Latina.
Para reforçar a produção, a Coop contratou 30 temporários e vai contratar mais 24 para a área de degustação na segunda quinzena de outubro. O auxiliar de cozinha Jefferson Farat, de 27 anos, foi um dos contratados. ''Estava desempregado há mais de um mês e agora vou ter como comprar um presente melhor para a minha noiva'', diz Jefferson, que espera ser efetivado pela Coop após o período como temporário.
13º Salário - O pagamento do 13º salário deve injetar R$ 53,7 bilhões na economia até dezembro, R$ 5,6 bilhões a mais do que em 2006, estima o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Bancos e financeiras devem emprestar outros R$ 35 bilhões ao consumidor no próximo trimestre, o que representará um ingresso adicional de R$ 8,1 bilhões em relação a igual período de 2006, segundo cálculos da agência de classificação de risco Austin Rating.
No total, a massa de recursos atinge R$ 88,7 bilhões, o equivalente a 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) projetado para 2007, de R$ 2,538 trilhões. ''Vamos ter um fim de ano gordo para as famílias, que deve se refletir num importante aumento das vendas no varejo'', diz o presidente do Ipea, Márcio Pochmann, que fez os cálculos sobre o 13º salário.
Para Pochmann, a maior parte desse dinheiro deverá ir para o consumo, e o restante, para pagar dívidas ou para a poupança. O aporte desses recursos na economia, segundo ele, deve compensar parte dos efeitos negativos das recentes turbulências no mercado financeiro global.
As empresas têm até 30 de novembro para pagar a primeira parcela do décimo terceiro salário (50%) e o restante até 20 de dezembro.


