Imagem ilustrativa da imagem Comércio enxuga postos de trabalho para sobreviver
| Foto: Anderson Coelho
Comércio de combustíveis foi um dos mais afetados pela retração: em Londrina, nível de emprego caiu 43% de janeiro a maio deste ano em relação ao ano passado



O setor varejista respondeu à retração econômica reduzindo significativamente os postos de trabalho em Londrina (-11,37%) e no Paraná (-6,75%) nos primeiros cinco meses deste ano, segundo aponta a Pesquisa Conjuntural do Comércio, realizada mensalmente pela Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio-PR). O levantamento apontou uma ligeira melhora nas vendas globais de maio em relação ao mês de abril, sendo 6,49% em Londrina e 1,96% de incremento no Estado. Essas vendas, no entanto, em nenhum momento serviram para impulsionar a geração de vagas no setor.
Para o economista e professor da FAE Centro Universitário Gilmar Mendes Lourenço, tais dados tornam evidentes a necessidade de sobrevivência das empresas e das pessoas, diante de uma conjuntura político-econômica absolutamente instável. "O comércio sentiu de maneira direta todos os fatores adversos, o desemprego, a perda de poder de compra e o alto grau de endividamento da população. Como resultado, precisou enxugar seus custos e segue fazendo isso até porque o cenário ainda não é confiável. E até porque a melhora dos números de alguns segmentos foi transitória, causada por um frio intenso e o Dias das Mães", avalia.
A coordenadora das pesquisas da Fecomércio-PR, Priscila Takata, também converge na mesma argumentação. "Diante da avalanche de problemas que foi se formando nos últimos anos, tanto os comerciantes quanto os consumidores estão em compasso de espera, consumindo significativamente menos, até porque os produtos de modo geral estão bem mais caros e, mesmo quem está empregado não é induzido a consumir mais, porque a confiança nos rumos do País está seriamente abalada. Ainda podemos piorar mais um pouco, para começar a melhorar", prevê. "Além disso, o aumento das vendas de abril para maio ficou concentrado em setores que não são tão representativos do pontos de vista da movimentação financeira e geração de empregos", pondera.

Londrina
Dos 12 segmentos comerciais que participam da pesquisa, Londrina é monitorada em 11 (apenas o ramo de Livrarias e Papelarias que não participa). Desses, somente as farmácias tiveram um saldo positivo (de 2,52%) na geração de empregos na comparação do acumulado de janeiro a maio deste ano contra o mesmo período de 2015. O nível de emprego das farmácias em todo o Estado ficou negativo (-0,54%), aliás, os 12 setores monitorados pela pesquisa recuaram na oferta de vagas na comparação entre os cinco primeiros meses de 2016 com o mesmo período do ano passado .

Combustíveis
O comércio de combustíveis, tanto em Londrina quanto no restante do Estado, foi um dos que mais refletiram a redução no consumo da população, com a consequente eliminação de postos de trabalho. Entre janeiro e maio de 2016, o nível de emprego caiu 43,28% nos postos de combustíveis londrinenses, na comparação com 2015. Em termos estaduais, essa redução foi de 19,17% "É notório que mesmo as pessoas empregadas estão limitando o uso do automóvel por conta da diminuição de renda familiar e do forte medo do desemprego", admite Priscila. "Se até mesmo os supermercados refletem uma redução nas vendas, o que dizer do comércio de combustíveis? A população está consumindo menos e até comendo menos por conta de uma crise que ainda tem chão para chegar ao fundo do poço. Diante disso, racionalizar o uso do carro é fundamental", alerta Lourenço.
O vice-presidente do Sindicombustíveis-PR, Giuseppe Salamone, reconhece essa retração brusca das vendas. "Não temos dados estatísticos, mas é quase uma unanimidade entre a classe que em função da crise política e econômica foi necessário reduzir as contratações e, por conseguinte, a força de trabalho", explica. "Para o segundo semestre, a tendência vai andar conforme os sinais enviados pela política nacional. Se tivermos avanços positivos, no sentido da melhora da economia e também de outras questões graves que afligem todo o País, o mercado tende a reagir. Neste momento, fica difícil vislumbrar um horizonte e prever quando isto vai acontecer", admite.

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