Comodidade, exposição de produtos por 24 horas e boa relação custo/benefício fizeram o comércio eletrônico no Brasil faturar em julho R$ 98,5 milhões, frente aos R$ 73 milhões do mesmo mês de 2002, um crescimento de 35%. O faturamento anual pode chegar a R$ 1,2 bilhão, com aumento de 50% comparado ao exercício anterior, e algumas das empresas de Londrina, que já utilizam a Internet para comercializar produtos, chegam a movimentar R$ 2 milhões anuais, pelas estimativas da Expertu Comércio Eletrônico, empresa local especializada no ramo.
Segundo Fabiana Cury Yasbek, da e-bit, empresa paulistana especializada em pesquisa e marketing para a Internet, o bom desempenho do comércio eletrônico em 2003 deve-se ao amadurecimento das empresas que usam a rede como ferramenta para vendas. ''As grandes redes varejistas, donas da maior parcela desse tipo de comércio, começaram a perceber que a Internet é uma grande alternativa para superar a crise''. Para Fabiana, o grande número de promoções realizadas pelas grandes empresas de comércio eletrônico também colaboraram para a alta do faturamento do setor em 2003.
E para Gastão Mattos, presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, a baixa penetração da rede entre a população está sendo superada. ''Somente 10% dos 2,4 milhões de usuários de Internet no Brasil fazem compras pela rede, mas a grande vantagem é que quem compra uma vez tem grande chances de se tornar consumidor habitual.''
Para Fabiana, além da aumento da penetração da rede entre o brasileiro, o comércio eletrônico ainda deve contar com grande evolução devido à abordagem de nichos específicos de mercado. ''Muitas linhas de produtos, por serem muito exóticas ou difíceis de se encontrar, só podem ser comercializadas no Brasil por meio da Internet, como vinhos ou discos antigos.'' O dono de um loja de discos de Londrina, Fernando Feijó, é um dos usuários que buscou na net o produto que procurava. ''Comprei um LP antigo. Já fiz algumas compras pela Internet e nunca tive problemas''. E esse também é o caso de Valquir Fedri, que busca na rede produtos de informática, além de livros, CDs e DVDs. ''A vantagem é que temos acesso aos produtos antes de eles estarem dispoíveis no mercado''.
Em Londrina, a procura por esse tipo de serviço ainda não é muito grande, segundo o gerente administrativo Ricardo Brunelli, da Expertu, que atende a 12 empresas da cidade. ''Mas todos estão começando a entender que a internet não é uma moda passageira e a procura tem aumentado bastante''. Para Brunelli, a exposição de produtos 24 horas por dia, boa relação custo/benefício e entrega feita a domicílio são algumas das vantagens que atraem tanto o consumidor como as empresas. E, ainda segundo Brunelli, algumas das empresas atendidas pela Expertu chegam a faturar até R$ 2 milhões anuais com o comércio eletrônico. ''E o ramo está em pleno desenvolvimento. Os empresários estão começando a entender que existem várias fases até que se possa atingir os objetivos através da Internet.''

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