Comércio eletrônico cresce 45% ao ano no Brasil
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sábado, 23 de agosto de 2008
Eli Araujo<br> Reportagem local 
O comércio eletrônico no Brasil está crescendo a uma média de 40% a 45% ao ano e deve manter esta perspectiva para os próximos cinco ou seis anos. A análise é do consultor Edilson Flausino, da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, que participou da Feira do Empreendedor em Londrina. Segundo ele, este desempenho é muito representativo porque o comércio tradicional cresce na proporção de apenas 1% a 1,5% ao ano.
Flausino explica que a evolução do comércio eletrônico se deve, de maneira especial, à maior participação da classe C neste sistema de compras. ''Há três ou quatro anos, as classes A e B compravam mais pela internet, mas agora há maior facilidade na compra de equipamentos, e a classe C, que ganha em torno de mil reais por mês, está acessando mais a rede''. De acordo com o consultor, o volume médio de compras do brasileiro pela internet é o maior do mundo, cerca de R$ 320,00.
Os campeões de vendas pela internet ainda são os CDs e DVDs, e os produtos cuja procura aumenta de forma significativa são os livros, equipamentos de informática e os eletroeletrônicos. A venda do comércio eletrônico no varejo chegou a R$ 6,5 bilhões no ano passado, mas os setores de turismo, leilões e automóveis movimentaram mais de R$ 100 bilhões. Segundo ele, hoje seria impossível imaginar as agências de turismo funcionando sem os recursos da internet. Outro setor que começa a explorar melhor a tecnologia virtual em seus negócios é o mercado imobiliário.
Além do volume de vendas, a Câmara do Comércio Eletrônico ainda analisa o comportamento do consumidor brasileiro, que tem uma característica bem diferente dos consumidores de outros países latino-americanos. ''Enquanto 90% das compras dos brasileiros são realizadas em sites nacionais, os consumidores da Argentina, Colômbia e Uruguai, por exemplo, preferem os sites americanos'', afirma Flausino. E acrescenta que isto não acontece por acaso. ''Os sites nacionais são de boa qualidade, os brasileiros são criativos e o Brasil tem muitas empresas de segurança na internet que servem de modelo para o mundo inteiro''.
O consultor reconhece que o comércio eletrônico no Brasil está em expansão porque ''muitas micro e pequenas empresas estão buscando esta oportunidade''. Mas este detalhe é motivo de preocupação para as entidades que representam o setor porque o crescimento não acompanha a necessária formação de mão-de-obra especializada, o que pode ser motivo para uma espécie de ''apagão tecnológico''. ''O profissional brasileiro de internet é muito bem cotado no Exterior, e a gente observa que começa a faltar profissional de qualidade. Nos próximos três anos podem faltar pelo menos três milhões de profissionais das áreas de tecnologia no Brasil''.


