Empresários do comércio e da construção civil anunciaram ontem, durante café da manhã na sede da Força Sindical, adesão ao pacto pela produção e pelo emprego, proposto pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Eles vão comparecer à manifestação de segunda-feira no auditório do Sesi, na sede da Fiesp, e já no dia seguinte promoverão outro encontro: um café da manhã na Associação Comercial de São Paulo, para que o seja discutida a continuidade do movimento de pressão contra a política econômica do governo.
Segundo o vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti, a política de juros tem que mudar porque o País está em recessão há 60 dias e não suportará remédios mais amargos daqui para a frente. ‘‘Os efeitos do pacote fiscal chegarão a partir de fevereiro, e a economia do jeito que está hoje, não vai aguentar.’’
Sem citar nomes, Burti disse que ‘‘os monetaristas do governo não têm sensibilidade social’’. Para ele, há sim uma diferença de visões hoje no Brasil, entre monetaristas e desenvolvimentistas.
Os primeiros estariam alheios às consequências de tamanha retração econômica. Já empresários e sindicalistras, que estão vivendo no seu dia-a-dia as agruras dos desempregados e dos falidos, sabem, segundo ele, que se não houver uma mudança de rumo, há risco de descontrole social, econômico e político.
Já o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Paulo Pereira da Silva, optou por citar nomes. Para ele, a demissão do presidente do Banco Central, Gustavo Franco - personagem que está se transformando no símbolo da suposta visão monetarista da equipe econômica - seria um bem para o Brasil. ‘‘Não estou pedindo a cabeça de ninguém, mas o País só ganharia com a saída do Gustavo Franco.’’
O vice-presidente de Relações entre Capital e Trabalho do Sindicato da Indústria da Construção Civil (SindusCon), Artur Quaresma, afirmou que o setor fechou 30 mil empregos, do total de 440 mil, desde maio. E que teme o futuro próximo. ‘‘Precisamos restabelecer a credibilidade do investidor da construção, e isso depende de mudanças urgentes na política econômica.’’
Quaresma disse que não quer pedir cabeças ao governo, e sim revisão das metas do ano. ‘‘A meta de só chegar ao final do ano ao nível de juros de antes da crise asiática é muito preocupante’’, avaliou. Com esse planejamento, segundo o empresário, os grandes e pequenos investidores vão se retrair ainda mais.
Pereira recebeu também ontem a adesão da Confederação Geral dos Tabalhadores (CGT). O principal sindicato da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o dos Metalúrgicos do ABC, já decidiu engrossar o movimento. O presidente da CUT, Vicente Paulo da Silva, encontra-se hoje com o presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva, para acertar a inclusão da central como um todo no pacto.José Cordeiro/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)União contra a criseSindicalistas da Força Sindical e empresários durante encontro para discutir a política econômicaAgência Estado

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