Curitiba - O comércio está otimista para as vendas de Natal deste ano depois que o crescimento econômico dá sinais de retomada. A previsão das principais associações comerciais do Estado é de um aumento de até 20% em relação a mesma data do ano passado. Com a maior oferta de crédito e a busca por presentes mais caros como tevês LCD e netbooks - que serão as vedetes deste ano - o consumidor deve comprar mais a prazo. O setor vai contar com um impulso de R$ 140 bilhões que devem entrar na economia brasileira com o pagamento do 13º salário e a elevação de crédito ao consumidor, valor 20% maior que em 2008. A estimativa é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).
No Paraná, só o 13º salário deve injetar cerca de R$ 4,240 bilhões na economia do Estado, valor 5,78% maior que no ano passado, aponta o Ipea. O salário médio a ser pago aos aposentados e pensionistas paranaenses é de R$ 865 e dos trabalhadores do mercado formal de R$ 1.372. No Brasil, o 13º será responsável pela circulação de R$ 75,8 bilhões a mais na economia.
De olho neste volume de dinheiro, algumas lojas já ampliaram em 20% as encomendas para o final do ano. Na rede Wal Mart o volume de pedidos é entre 20% e 25% maior para a linha de vídeo e informática e nos eletrodomésticos de 10% a 15%. As Lojas Colombo ampliaram em 20% os pedidos de eletrodomésticos, enquanto em informática o acréscimo foi de 20% e nas TVs, variou entre 30% e 40%. A Casas Bahia trabalha com a projeção de ampliar em 20% as compras de produtos para o Natal.
Alguns motivos que devem levar ao desempenho positivo nas vendas são a retomada do crescimento da economia, o aumento do crédito a patamares iguais aos observados antes da crise, a queda dos juros e o aumento do nível de emprego. O supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cid Cordeiro, prevê que as vendas do comércio no Paraná cresçam acima de 10% e que o consumidor escolha comprar a prazo.
O presidente da Anefac, Miguel de Oliveira, lembrou que em 2008 o Natal foi pautado pela incerteza no futuro. Neste ano, o cenário é de um País que vai crescer, gerar empregos, o que leva os bancos a emprestarem mais dinheiro.
Na Associação Comercial do Paraná (ACP), o consenso é de que o Natal será melhor que o ano passado com estimativa de crescimento das vendas de 15% a 20%. Os empresários de Curitiba acreditam que o Brasil foi um dos últimos a entrar na crise e um dos primeiros a sair. De acordo com informações do Departamento Econômico da ACP, o que ocorre neste período do ano é as pessoas pagarem as dívidas antigas para fazerem novas compras parceladas.
''A redução da inadimplência favorece a tomada de crédito'', disse o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina, Marcelo Cassa. Os empresários da região estimam vendas 5% maiores. Segundo ele, o consumidor deve optar mais pela compra a prazo.
Em Maringá (Região Noroeste), os lojistas não estão tão otimistas e preveem crescimento de 2% a 3% na comercialização do Natal deste ano. Segundo o diretor de relações públicas da Associação Comercial e Empresarial de Maringá, Sérgio Gini, o comércio vai apostar em descontos e promoções para ter um bom nível de vendas.
Já o presidente da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa, Hilario Devicchi, estima um aumento nas vendas de 10% a 15%. ''A crise já passou. O nosso carro-chefe neste ano devem ser os eletrodomésticos'', disse.
A Associação Comercial e Industrial de Cascavel já começou os projetos de Natal que envolvem decoração e campanhas de sorteio de prêmios. O vice-presidente da entidade, André Bueno, aposta em um aumento de 10% nas vendas e uma geração 20% maior de empregos temporários. Para ele, as comercializações devem ocorrer mais a prazo e um dos produtos mais vendidos será o celular, além das tevês de LCD e dos netbooks.

mockup