As altas temperaturas registradas neste inverno irão contribuir para uma quebra na produção de morangos no Paraná. Embora a Emater afirme que a safra se mantém estável há alguns anos, os produtores dizem que a queda será de, pelo menos, 20%. A baixa produção, inclusive, já reflete nos preços. Na Central de Abastecimento de Londrina (Ceasa), a caixa (com quatro bandejas) subiu 14% na semana passada e, agora, está sendo vendida a R$ 8. Nos supermercados e quitandas, o preço da bandeja varia de R$ 2 a R$ 2,50.
A produção paranaense está estimada em 12 mil toneladas. Deste total, 625 toneladas são de morango orgânico. ''A produção convencional está estável, enquanto a plantação de orgânicos vem crescendo. Como o comum, geralmente, tem muito agrotóxico os consumidores estão procurando mais os orgânicos'', comenta o engenheiro agrônomo Iniberto Hammerschimdt, coordenador estadual de Olericultura e Agricultura Orgânica. São 825 produtores, dos quais 30 cultivam a planta orgânica. O total da área plantada é de 500 hectares. A maioria dos produtores está concentrada na região de Curitiba e no Norte Pioneiro.
A temperatura fria é importante para o morango porque estimula o hormônio responsável pela floração. Quanto mais flores tiver a planta, mais frutos irá produzir. Para os produtores, nesta época a temperatura ideal seria uma média de 23ºC para um dia ou que variasse de 10ºC a 15ºC durante a noite. Por isso, há a estimativa de recuo na produção. Como a colheita ainda está no início e a planta costumar dar várias floradas durante o seu ciclo não há previsão da quantidade que será colhida porque a temperatura ainda pode baixar.
Agrotóxicos - Segundo estimativas da Emater, durante todo o ciclo do morango que vai de junho a outubro na região norte e de agosto a dezembro no sul são feitas, em média, 40 pulverizações. ''Os produtores devem utilizar um agrotóxico com menor poder residual, com carência de colheita de dois ou três dias'', comenta. No entanto, o que acontece muitas vezes é que os agricultores utilizam produtos com carência de 30 dias, mas fazem a colheita em seguida.
A utilização de agrotóxicos em larga escala é feita para reduzir a suscetibilidade da planta à doenças. Na região norte - devido às condições climáticas - uma das mais comuns é a antracnose que ataca o pecíolo, folha, flor e fruto, provocando o apodrecimento. As variedades que menos toleram o fungo são as campinas e dover. Já a camarosa, oso grande, monte alegre e sweet charlie suportam mais a doença.
Através de um manejo adequado, com a irrigação via solo e o plantio correto a planta fica bem nutrida e mais tolerável às doenças. A irrigação convencional não é recomendada porque deixa água sobre as folhas, o que contribui para a reprodução de fungos prejudiciais à planta. Já a produção orgânica requer um solo bem preparado, equilibrado biológicamente. É utilizado apenas biofertilizantes.

mockup