Curitiba - A logística reversa prevê que os fabricantes, distribuidores e comerciantes sejam obrigados a viabilizar a coleta dos resíduos sólidos para reaproveitamento ou destinação correta. Esta é uma das ações da Política Nacional de Resíduos Sólidos que deve ser implantada até 2016. A previsão é que mais de 50% do custo para colocar em prática estas medidas seja do comércio. No entanto, quem deve ''pagar a conta'' no final da história deve ser o consumidor e o contribuinte, já que tanto indústria como o comércio varejista podem repassar este gasto extra.
As afirmações são da consultora ambiental da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Cristiane Soares, e do presidente do Sindicato dos Representantes Comerciais do Paraná (Sirecom-PR), Paulo Nauiack. Segundo ela, no caso de produtos da linha branca como geladeiras e fogões, por exemplo, quando a indústria faz a desmanufatura, o material pode ser vendido. E, a partir do momento que este processo ganhar escala, gera receita para a indústria. ''O comércio fica com a conta mais cara'', disse.
Ela explicou que entre os custos para o comércio estão o espaço na loja para armazenar os resíduos sólidos, os funcionários que vão gerenciar os coletores, a segurança e a iluminação. Para a indústria fica o custo logístico e de reciclagem. Cristiane disse que há alguns entraves porque, por exemplo, a colocação de um coletor é passível de licença ambiental. Para dar entrada neste documento, o custo médio é de R$ 2 mil. ''Isso tudo vai sair do bolso do consumidor e do contribuinte'', disse.
Para ela, um dos setores críticos é o de embalagens em geral. Segundo Cristiane não existe um acordo fechado sobre isso. ''Não é viável esperar que o consumidor leve a cada três dias as suas embalagens de uso diário para um ponto de descarte'', alertou. Outro setor problemático, para ela, são os eletroeletrônicos como computadores e celulares. O descarte logístico correto, com a indústria indo retirar os produtos no ponto comercial, prevê que sejam rodados, em média, 400 km para realizar esta ação, o que gera um custo com transporte.
Para Nauiack, a indústria até pode assumir o custo da logística reversa, mas provavelmente vai repassar no preço dos produtos. Ele destacou que há setores que estão mapeados para se adaptarem às novas medidas. No caso das embalagens e resíduos de agrotóxicos, já está acontecendo a destinação correta. Para o produtor rural retirar um novo agrotóxico precisa levar a embalagem do antigo.
As embalagens e resíduos de óleos lubrificantes também têm a coleta nas concessionárias. E o óleo tem valor comercial pois é reciclável. Segundo ele, lâmpadas, medicamentos, pilhas e baterias estão convergindo para acordos setoriais.
O assunto foi debatido ontem no 29º Encontro Nacional de Sindicatos Patronais do Comércio de Bens, Serviços e Turismo no Expo Unimed, em Curitiba. O evento começou na quarta-feira e termina hoje.

Imagem ilustrativa da imagem Comércio deve pagar a maior parte da conta da logística reversa
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