Imagem ilustrativa da imagem Comércio deve fechar 230 mil vagas
| Foto: Rei Santos/18-06-2016
Círculo vicioso: com menos gente comprando, mais pessoas são demitidas e, consequentemente, também vão comprar menos



Acumulando uma retração no movimento de mais de 5% em um ano, registrado em julho, o comércio deve fechar 230 mil vagas em 2016, uma redução de 3% nos postos de trabalho do segmento em comparação com 2015. É o que indicam dois levantamentos divulgados pelo Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) e pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Segundo os dados do varejo apurados pelo Boa Vista SCPC, a variação acumulada do movimento no comércio em 12 meses caiu -5,1% entre agosto do ano passado e julho deste ano. Entretanto, o ritmo de queda diminuiu nos últimos três meses. Na comparação mensal contra o mesmo mês do ano anterior, houve retração de -1,7% em julho, acumulando no ano -4,9%.
Ainda segundo o levantamento, o setor de Móveis e Eletrodomésticos teve a maior retração em julho em comparação com junho, de -2,8%, considerado o ajuste sazonal. A variação acumulada em 12 meses para o setor foi de -6,9%. A categoria Tecidos, Vestuários e Calçados ficou em segundo, com retração de -2,6% no mês e - ,7% no acumulado de um ano. O resultado geral de julho foi o pior da série histórica levantada pelo Boa Vista SCPC.
A previsão de fechamento de 230 mil vagas no varejo, feita pela CNC, se confirmada, será o pior resultado em mais de uma década. Porém, apesar da magnitude no corte de vagas, a projeção da confederação melhorou em relação a junho, quando previa 279 mil postos de trabalho fechados este ano.
A queda no emprego de varejo é mais alta no ramo de móveis e eletrodomésticos (-9,1%), livrarias e papelarias (-6%) e comércio automotivo (-5,9%). Os três segmentos também são os que apresentam as maiores reduções no volume de vendas, de acordo com o CNC: -15,7%, -15,5% e -17,1%, respectivamente.
Em números absolutos, vestuários e calçados foram os que mais demitiram, com 59,9 mil vagas. O setor registrou queda de 11,3% nas vendas nos últimos 12 meses.
O professor do Departamento de Economia da Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR) e consultor econômico da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcos Rambalducci, afirma que os dados traduzem a realidade econômica que vivemos.
Na explicação do economista, o processo tem início na queda no poder de compra das famílias, seja pela inflação, seja por perda do emprego. "Se o consumidor perde 10% do poder de compra, o mercado reduz e tem de retrair no mesmo percentual. Então, reduz os custos e as vagas de trabalho num círculo vicioso que se retroalimenta: com menos gente comprando, mais pessoas são demitidas e, consequentemente, também vão comprar menos", explica.
O economista de Curitiba Claudio Shimoyama, diretor do Datacenso – consultoria especializada em inteligência de mercado -, ressalta que a retração do mercado foi menor que a inflação registrada no mesmo período, que passa dos 9%. Além disso, ele chama a atenção para o fato de que, apesar de ainda existir, o movimento de queda é menor e começa a recuperar as perdas acumuladas desde 2015.

PROCURA POR CRÉDITO
Novo levantamento do SCPC divulgado ontem demonstrou crescimento de 11,9% na demanda por crédito por parte do consumidor em relação a junho, apesar de acumular retração de 6% em um ano. Para Marcos Rambalducci, a procura por crédito é uma tentativa do trabalhador de mitigar suas dívidas. "Empréstimo é fazer um saque no futuro para tentar acertar o presente. Mas o próprio mercado está reticente em conceder", recorda.

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