Comércio deve faturar 3% menos em 98
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de abril de 1998
Agência Folha 
A Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP) prevê um ano difícil para o setor. A expectativa é de uma queda de faturamento da ordem de 3% em 98 sobre 97. Para a federação, o setor do varejo que deve apresentar melhor desempenho é o de não-duráveis, que reúne os supermercados e as drogarias.
As farmácias estão se reestruturando. Por essa razão, podem registrar melhor resultado neste ano, diz Mônica Hage, economista da FCESP. Nos grupos de semiduráveis, que reúne as lojas de vestuário, tecidos e calçados, e de duráveis, no qual estão as revendas de eletroeletrônicos, a previsão para este ano é de uma venda parecida com a do ano passado. O setor do varejo que mais deve sofrer em 98, avalia a federação, é o automotivo. A projeção para as concessionárias de veículos neste ano é de uma queda de 24% no faturamento na comparação com 97.
O fato é que estamos num momento difícil. Este será mais um ano de ajuste das empresas. O varejo não deve ir bem por causa da inadimplência, do desemprego e do baixo poder aquisitivo do consumidor, diz Eduardo de la Pe¤a, analista de investimento do Bozano, Simonsen. Ele afirma que o varejo foi muito afetado com a alta dos juros e da inadimplência. Há receio sobre o desempenho do setor daqui para a frente. Aline Prado, analista do Lloyds Asset Management, diz que a dúvida maior é em relação ao varejo que depende de financiamento. Mas, na sua avaliação, o pior já passou.
O pico dos juros elevados ficou para trás e a tendência é de declínio das taxas. É possível ainda que haja aumento nas vendas no segundo semestre por conta das eleições. Para Fátima Sacco, analista do Unibanco, 98 será bem parecido com 97 no comércio.


