São Paulo - O corte na taxa Selic, de 19% para 18,75% ao ano, promovido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira, terá efeitos positivos para o comércio, que deve estender os prazos médios de venda, avalia o presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Alencar Burti. Segundo ele, atualmente o varejo trabalha com um prazo médio de nove meses, que deve subir para 12 meses dentro de 60 ou 90 dias, assim que o mercado assimilar a queda do juro básico.
Segundo Burti, ainda não é possível avaliar a redução nos juros do comércio efetivamente, uma vez que não é só o valor da Selic que compõe as taxas do varejo. A formação dos juros no comércio leva em conta o risco da inadimplência e o custo do dinheiro para os lojistas, além dos gastos administrativos, no caso do crediário. ‘‘O recuo da Selic é pequeno dentro da composição dos juros do varejo’’, diz Burti.
Os juros médios cobrados nos financiamentos de automóveis, segundo Burti, vão de 1,8% a 2% ao mês. No vestuário, ficam entre 3,8% e 4,5% e, no cheque especial, a média é de 9% mensais.
Para o economista da ACSP, Marcel Solimeo, o primeiro efeito do recuo da Selic é sobre as expectativas. ‘‘Agora o mercado espera que a tendência de queda de juros se mantenha’’, diz.
Burti acredita que o governo deu um sinal de que a economia está sendo reativada num momento em que o comércio estava em compasso de espera. ‘‘A economia não está nem eufórica nem recessiva, está claudicante’’, diz.

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