Imobiliaristas como Raul Fulgêncio (RS negócios imobiliários) e João Júlio Medeiros (Schietti & Medeiros) começam a vender mais por conta da safra. ‘‘Se fizerem uma pesquisa, vão ver que de 20% a 30% dos negócios imobiliários em Londrina são feitos com agricultores, direta ou indiretamente’’, comenta João Júlio, para concluir que num momento de colheita a relação com o campo passa a ser ainda mais forte.
‘‘A sobra deve ser maior, principalmente porque é o primeiro ano de casa arrumada (João Júlio cita a entrada da moeda forte, a quebradeira e a securitização das dívidas agrícolas), e o volume de empréstimos bancários para a produção caiu muito’’. Se hoje ele vende 30 apartamentos por mês, ‘‘amanh㒒 espera vender 40.
Raul Fulgêncio diz que a tendência, no caso da RS, é ter um volume de negócios 50% maior. ‘‘Eles (agricultores) estão pesquisando preços e buscando imóveis de alto padrão até como investimento alternativo; e preferem pagar à vista’’. Mas também pagam parte do imóvel com soja.
‘‘O dinheiro da safra deve circular até junho’’, prevê o revendedor da Fiat em Londrina, Flávio Meneghetti, também produtor - por coincidência, de soja. ‘‘O dinheiro de maio e junho é que vai para o mercado de consumo’’, adianta, falando que aí, sim, os reflexos da colheita atingirão todos os setores da economia. A venda de veículos em março já foi de 10% a 15% melhor que a de fevereiro, afirma ele, calculando que ao longo do período o setor de automóveis poderá vender até 20% mais.
Antonio Carlos de Souza, da revenda Ford, está vendendo utilitários para Bela Vista do Paraíso, Alvorada do Sul, Primeiro de Maio - municípios essencialmente agrícolas. ‘‘Daqui a uns dez dias o movimento vai aumentar’’, aposta. ‘‘Acredito que vou vender uns 15% a mais de utilitários’’.
O revendedor da New Holland, Chistoph Schultz, espera um aumento de 30% na comercialização. Isso em relação ao ano passado, no mesmo período. É um índice razoável, diz ele, considerando o alto nível de endividamento dos agricultores. Schultz deve vender principalmente plantadeiras (de até R$ 13.500), tratores - ‘‘o parque está sucateado’’ - e equipamentos avançados para o plantio. A expectativa dele é que os negócios sejam fechados ‘‘em casa’’, e não através de financiamentos.
O empresário Farage Khouri é outro que fala de uma safra ‘‘fantástica’’ e que espera um grande impacto na economia. Ele é presidente da Faciap - Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agrícolas do Paraná. Khouri resume os prováveis efeitos em uma única frase: ‘‘São empresas (agrícolas) que vão investir, crescer; comprar mais insumos e produtos, gerar mais impostos. E os empresários do comércio em geral vão sair do sufoco.’’
Igarassu Louzada endossa o comentário. Presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina e Região, ele observa que, com a entrada desse dinheiro, o comerciante vai primeiro saldar os seus compromissos e depois melhorar os estoques para dar mais opções ao consumidor. ‘‘Uma parte pode comprar imóveis na cidade’’, emenda, comentando ainda que a maior movimentação deve ocorrer no prazo de 40 a 50 dias. (B.F.)

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