O faturamento no comércio varejista de Londrina recuou 15,5% no mês de julho em relação ao mesmo período do ano passado, puxado pelos segmentos de combustíveis (-22,8%), concessionárias de veículos (-21,5%) e de materiais de construção (-20,1%). Os números, divulgados ontem pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio-PR), são reflexo do desaquecimento econômico que atinge o País e que começa a ser mais sentido no segundo semestre.
A entidade descontou a inflação para o período em todos os resultados. Somente três das dez atividades tiveram alta no comparativo com julho de 2014. As vendas de vestuário aumentaram 13,57%, de lojas de departamento, 0,65% e de calçados, 0,45%. O motivo, porém, são as promoções de trocas de estação que foram antecipadas neste ano, para desovar estoques e fazer capital de giro, explica o consultor econômico da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcos Rambalducci.
Tanto que, dos três segmentos, somente as lojas de departamento seguem no azul (0,87%) nos sete primeiros meses do ano, enquanto caíram o comércio de vestuário (-1,66%) e o de calçados (-6,89%). "Essa queda deve se prolongar até novembro, mas trabalhamos com a expectativa de que dezembro será um ponto fora da curva, porque as pessoas não aguentam represar o consumo por muito tempo", diz Rambalducci.
Para o economista, o indicador de queda em julho de 22,8% no comércio dos postos representa o enfraquecimento de toda a economia. "O grande consumidor de combustíveis é o transporte e, se cai a construção civil e cai a indústria, são menos produtos em entregas", cita. Ainda, ele aponta que grande parte dos trabalhadores deixou de passear e viajar de carro.
O presidente da Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), Miguel Tranin, conta que as vendas no acumulado do ano ainda estão positivas porque janeiro foi um bom mês. "Em março as vendas de gasolina começaram a cair e em julho e agosto, as de etanol também", afirma.
Proprietário do posto Cupimzão em Londrina, Diogo Decker diz que chegou a ter aumento de 6 mil litros nas vendas de etanol e redução dos mesmos 6 mil litros na de gasolina. "O consumidor trocou um pelo outro, principalmente porque tivemos uma redução no valor do álcool. Mas hoje (ontem) já paguei R$ 0,10 a mais por litro na distribuidora", conta. Como o etanol é mais barato, isso também explica a menor receita dos postos.
Tranin considera que os produtores devem elevar um pouco os preços, depois de uma queda causada pelo pico da safra de cana-de-açúcar, para recuperar prejuízos. Porém, diz que o problema no setor é fruto apenas do desaquecimento. "Com a crise, aumenta o desemprego e o consumidor compra menos."

No Paraná


A queda no faturamento do comércio do Paraná foi de 12,7% em julho ante o mesmo mês de 2014. Houve alta de 1,2% sobre junho.
O acumulado em sete meses está negativo em 4,6%. Todas as regiões tiveram queda no mesmo comparativo, com o pior desempenho no Sudoeste (-7,5%), seguido por Londrina, Região Metropolitana de Curitiba (-4,9%), Oeste (-4,3%), Maringá (-1,8%) e Ponta Grossa (-0,9%). O diretor de planejamento e gestão da Fecomércio, Rodrigo Rosalem, afirma que é provável que o Estado feche com faturamento 5% menor do que no ano anterior no setor. "Não há nada que possa reverter isso. Na verdade, vemos medidas que podem agravar a situação, como alta dos impostos", cita.

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