Comércio de eletros quer zerar dívidas
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terça-feira, 18 de novembro de 1997
Bete Fagundes Londrina 
Milton DóriaNome limpoElmo da Silva: O importante é vender, mas hoje também é receber. Estamos até deixando de cobrar os juros As lojas de móveis e eletroeletrônicos de Londrina esperam que a população use parte do 13º salário para pagamento de dívidas. Os gerentes falam que a inadimplência continua alta (não revelam os índices) e que o mais interessante no momento é receber os atrasados, mesmo que para isso tenham de perdoar os juros. A primeira parcela do 13º tem que ser paga até 30 de novembro, mas como a data cai no domingo, as empresas ficam obrigadas a liberar o dinheiro na sexta-feira ou no sábado da próxima semana.
O gerente do Magazine Luiza, Elmo da Silva, diz que como vendedor prefere acreditar que as vendas neste final de ano serão maiores que as do ano passado, no mesmo período - apesar de todo o mercado ter sofrido a alta dos juros e o ataque do pacote fiscal do governo. Como lojista, quero receber os atrasados, conclui, informando que os seus cobradores já estão em campo com um outro discurso. Eles não estão cobrando; estão incentivando o pagamento de dívidas, renegociando, reduzindo os juros ou nem cobrando mais os juros. Fazemos de tudo para receber, confessa o gerente.
Todos os setores estão sofrendo; a prova é que a temporada de vendas para receber o primeiro pagamento em novembro ou dezembro, com o 13º salário, foi aberta em agosto/setembro. Fazendo isso, explica o gerente, o comércio se sujeita a enfrentar uma nova inadimplência. O importante, no caso, é vender, mas hoje também é receber, destaca o gerente.
Angelo Tomazi, gerente da Disapel, é outro que acredita em pagamento de dívidas com o 13º. Quanto às vendas, informa que houve queda, mas que a perspectiva é boa. Os preços continuam os mesmos. Nós, por exemplo, ainda temos planos de uma mais três (parcelas) sem juros, ou juros de até 8% ao mês para contratos de longo prazo, cobrados pelas financeiras. No Magazine Luiza, os juros estão em 2,95% ao mês mais IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
O gerente da Pernambucanas, Sebastião Costa, acha que nem todo mundo deve na praça. Ainda vai sobrar dinheiro do 13º para o mercado; as lojas só precisam oferecer melhores preços, analisa. Mesmo com o pagamento dos atrasados e com o governo falando para o povo não comprar, acredito que haverá aumento de vendas.
Para falar com essa segurança, Costa diz que se baseia na própria experiência e nos primeiros resultados de uma promoção que a loja fez no último domingo em Londrina, no Zerão, em parceria com a Sharp e a Secretaria de Ação Social do município. Na área, de entretenimento e lazer, foi exposta toda a linha Sharp de tv, som, vídeo e fornos.
Muitas das mercadorias foram colocadas à venda a preços abaixo do custo, ou abaixo dos preços de mercado. Vendemos em até três vezes sem juros ou com uma entrada mais nove parcelas a juros de 4,25% ao mês. Parte da renda fica para o município, segundo o gerente. Ontem ele ainda não tinha o resultado final do Salão Sharp, mas já se dizia satisfeito.


