Comércio de Curitiba sustenta anistia
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sexta-feira, 31 de outubro de 1997
Carmem Murara Curitiba 
Kraw PenasJuros maioresCelso Barcelos de Mello, da rede Ponto Frio: na trilha do Banco Central O comércio curitibano deve começar a repassar para o consumidor as novas taxas de juros impostas pelo Banco Central. Segundo os lojistas, a tendência é acompanhar o mercado financeiro para que não sejam acumuladas perdas. A mudança dos índices, no entanto, não causou alteração na campanha de renegociação das dívidas dos inadimplentes, que começa hoje em toda a região metropolitana de Curitiba. Durante um mês, quem tiver atraso no crediário poderá ganhar anistia das taxas de juros e até o perdão das multas.
O lançamento da campanha esteve ameaçado durante o dia de ontem por causa do aumento das taxas de juros. Os lojistas chegaram a cogitar o cancelamento, mas como a campanha já estava toda pronta foi impossível mudar tudo. Não daria mais tempo para suspender nada, afirmou o presidente da Associação Comercial do Paraná, Ardisson Akel. Ele admitiu que a elevação das taxas de juros fará com que os comerciantes amarguem uma perda um pouco maior de dinheiro em relação ao início. A compensação virá com a incorporação de pelo menos 100 mil consumidores, que hoje estão na lista do SCPC (Serviço de Proteção ao Crédito), para as vendas natalinas.
A renegociação das dívidas vai desconsiderar o aumento das taxas de juros. Mas quem fizer novas compras a prazo já deve encontrar índices mais pesados. Vamos ter que acompanhar o Banco Central, anunciou o diretor regional da rede Ponto Frio, Celso Barcelos de Mello. Há dois meses, a Ponto Frio está cobrando dos inadimplentes apenas o valor total da dívida sem a cobrança dos juros relativos ao atraso do pagamento das parcelas. A inadimplência nas lojas da Ponto Frio chega a 10% do total de clientes.
A rede Free Amazon segue os mesmos passos da Ponto Frio. O supervisor de crédito e cobrança da loja Marco Aurélio Godanth disse que os juros serão reduzidos e até eliminados conforme a situação de cada devedor. Estamos também isentando o pagamento das multas contratuais, afirmou Godanth. A Free Amazon cobra juros de 8% ao mês, mas vai reduzir para 4%.
Com uma inadimplência média de 12%, o setor de materiais de construção vai mais longe e promete isenção total de juros. Não vamos cobrar nada de juros e vamos parcelar em até oito pagamentos, afirmou o diretor comercial da Avenida Sete Materiais Hidráulicos, César Gonçalves. O diretor comercial acredita que o aumento das taxas de juros será um estímulo para que o inadimplente pague suas contas.


