O comércio em Ciudad del Este, na fronteira do Brasil com o Paraguai, sofreu uma queda de aproximadamente 85% em relação à ‘‘época dourada’’, registrada em meados da década de 90. ‘‘O mercado vinha reduzindo, mas caiu muito depois da desvalorização do real’’, lamentou o presidente do Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná, Sharif Hammoud. ‘‘Quando chegou a R$ 2,50 ficou quase inviável para os sacoleiros.’’
De acordo com Hammoud, proprietário da Monalisa, uma das maiores lojas, aproximadamente 85% dos visitantes são brasileiros. ‘‘Somou-se a recessão na região, a desvalorização do real e a falta de poder aquisitivo de nosso cliente principal’’, diz Hammoud. Ele lembra que, até 1995, quando o comércio local sentiu os reflexos da abertura de mercado brasileiro, havia cerca de 7 mil lojas. Hoje o número de estabelecimentos caiu para 1,5 mil. ‘‘Acredito que no começo do próximo ano vamos ter menos de mil.’’ Com a inviabilidade do trabalho de sacoleiros, os comerciantes procuram atingir o consumidor final. ‘‘Esta é uma região estratégica, com belezas naturais e bom clima’’, elogia Hammoud. ‘‘Queremos aproveitar isso para atrair boa parte do turismo interno, pois aqui se vive e se paga em real, achando o que se quer.’’ Segundo ele, há um trabalho sendo realizado por autoridades brasileiras, paraguaias e argentinas visando atrair o turista.
‘‘Precisamos voltar ao que era há cerca de 20 anos, com um turismo de evento, de excursões, de família’’, afirma. ‘‘Vamos trabalhar para melhorar a imagem da região, tornando um pouco mais séria, mais limpa, mais ordenada.’’ Para combater a alta taxa de desemprego, que assola inclusive os cerca de 400 mil brasiguaios, Hammoud aposta em um programa de industrialização, com a participação dos governos dos dois países na formação de mão-de-obra.
Os exportadores de Foz do Iguaçu também sofrem com a desvalorização do real. De acordo com o vice-presidente de Comércio Exterior da Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu, Mahmud Abdo Rahal, nos últimos dois meses, a queda na exportação chegou a cerca de 30%. De toda a exportação brasileira para o Paraguai, 10% saem de Foz.
A maior parte das vendas é feita em real. ‘‘Se recebêssemos em dólares estaríamos muito bem’’, diz Rahal.

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