Comércio de Ciudad del Este amarga queda de 85%
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terça-feira, 31 de julho de 2001
Agência Estado<BR>De Curitiba 
O comércio em Ciudad del Este, na fronteira do Brasil com o Paraguai, sofreu uma queda de aproximadamente 85% em relação à época dourada, registrada em meados da década de 90. O mercado vinha reduzindo, mas caiu muito depois da desvalorização do real, lamentou o presidente do Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná, Sharif Hammoud. Quando chegou a R$ 2,50 ficou quase inviável para os sacoleiros.
De acordo com Hammoud, proprietário da Monalisa, uma das maiores lojas, aproximadamente 85% dos visitantes são brasileiros. Somou-se a recessão na região, a desvalorização do real e a falta de poder aquisitivo de nosso cliente principal, diz Hammoud. Ele lembra que, até 1995, quando o comércio local sentiu os reflexos da abertura de mercado brasileiro, havia cerca de 7 mil lojas. Hoje o número de estabelecimentos caiu para 1,5 mil. Acredito que no começo do próximo ano vamos ter menos de mil. Com a inviabilidade do trabalho de sacoleiros, os comerciantes procuram atingir o consumidor final. Esta é uma região estratégica, com belezas naturais e bom clima, elogia Hammoud. Queremos aproveitar isso para atrair boa parte do turismo interno, pois aqui se vive e se paga em real, achando o que se quer. Segundo ele, há um trabalho sendo realizado por autoridades brasileiras, paraguaias e argentinas visando atrair o turista.
Precisamos voltar ao que era há cerca de 20 anos, com um turismo de evento, de excursões, de família, afirma. Vamos trabalhar para melhorar a imagem da região, tornando um pouco mais séria, mais limpa, mais ordenada. Para combater a alta taxa de desemprego, que assola inclusive os cerca de 400 mil brasiguaios, Hammoud aposta em um programa de industrialização, com a participação dos governos dos dois países na formação de mão-de-obra.
Os exportadores de Foz do Iguaçu também sofrem com a desvalorização do real. De acordo com o vice-presidente de Comércio Exterior da Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu, Mahmud Abdo Rahal, nos últimos dois meses, a queda na exportação chegou a cerca de 30%. De toda a exportação brasileira para o Paraguai, 10% saem de Foz.
A maior parte das vendas é feita em real. Se recebêssemos em dólares estaríamos muito bem, diz Rahal.


