Comércio da reciclagem em alta
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segunda-feira, 04 de setembro de 2006
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
Que a reciclagem é uma realidade e uma tendência ninguém duvida. O reaproveitamento de produtos, atualmente, é trabalhado pelas empresas em duas frentes: a exigência legal, que impede o depósito desses materiais no meio ambiente; e fonte de renda, uma vez que quase todos os tipos de resíduos industriais já são comercializados. No Paraná, o mercado está em plena expansão, mas ainda há muito espaço para crescer. O interesse por anúncios deste tipo de mercadoria cresceu pelo menos 1.300% nos últimos cinco anos; a oferta de materiais teve um incremento de cerca de 350% no período.
Os dados são da Bolsa de Reciclagem, serviço oferecido pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). Em 2001, a bolsa registrou 191 anúncios e fechou o ano passado com 2.408. O número de interessados nessas ofertas saltou de 11, há cinco anos, para 15.440 em 2005. A bolsa foi criada há cinco anos e, em um site, oferece informações e oportunidades de negócios com produtos recicláveis. O ambiente é semelhante a um classificados de jornal; anúncios e acessos são gratuitos. No local, são encontrados todos os tipos de produtos como metais, produtos químicos, plásticos, vidros e alumínio.
Um dado curioso aponta que a maioria (1.055) das empresas cadastradas na Bolsa paranaense é paulista. Do Paraná, são 878. ''Essa 'invasão' paulista ocorreu de forma lenta. Aconteceu, especialmente, porque o Paraná tem um setor de plástico bastante desenvolvido. E hoje é o que mais movimenta o mercado de reciclagem brasileiro'', afirmou Elisabeth Stapenhorst, coordenadora da Bolsa de Reciclagem. Essa procura é confirmada pela quantidade de anúncios no site da bolsa. Do total das mensagens, 64% são de oferta de resíduos plásticos.
Em seguida estão as ofertas de equipamentos de reciclagem novos e usados (10%) e metais (5%); o restante está dividido entre papéis, borracha, produtos químicos, resíduos da construção civil e vidros. ''Atendemos um mercado de produtos que não podem ser depositados em aterros sanitários, que precisam de outra transformação'', afirma Elisabeth. A reciclagem hoje tem que fazer parte da rotina das empresas. ''Se o reaproveitamento ou o transporte dos produtos não é feito corretamente a indústria pode ser multada pelos órgãos ambientais'', alerta.
Cabe ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) fiscalizar toda a atividade industrial. Em relatórios, as empresas devem informar para onde estão enviando seus resíduos. ''Com a destinação correta as empresas conseguem valorizar seus resíduos e, inclusive, tem um aporte financeiro com a venda. Se o material for limpo, separado e prensado terá mais valor ainda no mercado'', diz a coordenadora da bolsa.
Plásticos - Há cinco anos a Plásticos Irati, localizada no município de Irati (135 km ao norte de União da Vitória), transforma resíduos de plásticos industriais em sacolas, sacos de lixo e embalagens industriais para madeiras e portas. O material utilizado pela indústria é comprado na região de Curitiba, Ponta Grossa e Guarapuava dos chamados ''sucateiros'', os atravessadores do mercado da reciclagem. ''Isso encarece o preço de custo das mercadorias em até 200%. Algumas empresas de coleta têm contrato com as grandes corporações para tirar os resíduos do pátio e fazer essa separação'', explica o auxiliar Sérgio Franco.
O preço dos plásticos para reciclagem tem se mantido estável há dois anos e pode variar conforme a conservação e a qualidade. Segundo Franco, o índice de perdas da empresa é de apenas 3% porque foi desenvolvido um trabalho de seleção de fornecedores. Em indústrias que não fazem isso, o porcentual pode chegar a 40%. A Irati Plásticos tem uma produção mensal de 25 toneladas, que é comercializada no Estado, em São Paulo e Santa Catarina. De acordo com ele, as suas mercadorias são mais baratas do que as fabricadas com matéria-prima ''virgem'' e apresentam uma boa relação custo x benefício.
- Serviço
A Bolsa de Reciclagem do Paraná pode ser acessada pelo endereço eletrônico www.bolsafiep.com.br. Os anúncios e as consultas são gratuitos.


