Comércio da Elkind já usa flexibilização
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quarta-feira, 30 de junho de 2004
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Para os comerciantes da Avenida Saul Elkind (zona norte), a flexibilização do horário da abertura do comércio em Londrina não é apenas uma polêmica, é questão de necessidade. Na região, a maioria dos moradores trabalha no Centro e não tem tempo para as compras no horário convencional.
As tardes de sábado e as manhãs de domingo, portanto, são os períodos mais adequados para percorrer o comércio local. De acordo com lojistas da região ouvidos pela Folha, pelo menos 30% do faturamento é garantido com as vendas desses dias. ''A abertura fora do horário comercial é uma tradição na Saul Elkind'', afirmou Paulo Roberto Assencio, proprietário de um bazar e papelaria na avenida há 19 anos.
Para ele, a manutenção dessa tradição é fundamental para sustentar o crescimento da região, que abriga 120 mil pessoas. ''Se formos proibidos de trabalhar, muitas lojas acabarão fechando'', lamentou, lembrando que a maioria dos estabelecimentos trabalha com mão-de-obra familiar e, por isso, não fere a legislação trabalhista vigente.
De acordo com o comerciante, nas lojas que possuem funcionários, os próprios empregados preferem trabalhar além do horário comercial. ''É no sábado e no domingo que eles ganham as maiores comissões'', justificou.
Paulo Anselmo Paes, proprietário de uma loja de materiais de construção, informou que, em seu estabelecimento, o movimento do sábado à tarde corresponde às vendas somadas das segundas e terças-feiras. Ele tem 14 funcionários contratados, mas apenas o comerciante e a esposa trabalham nos fins de semana. ''Queremos respeitar a lei'', disse.
Apesar de não ter trabalhadores específicos para o sábado e o domingo, Paes calcula que precisaria demitir três pessoas se fosse proibido de abrir fora do horário convencional. ''O faturamento iria cair'', explicou.
Outra comerciante beneficiada pela flexibilização é Maria Nanci de Oliveira Martins, dona de uma loja de confecções que concentra a maior parte das vendas nas tardes de sábado. Ela não abre aos domingos porque, nesse dia, trabalha na feira que funciona na avenida e também ajuda a movimentar o comércio local. ''Se não trabalhar no sábado à tarde, minha renda vai cair bastante'', disse.
Para os consumidores, a flexibilização no horário do comércio da zona norte traz comodidade. O porteiro Antônio Alves, 50, mora há 20 anos na zona norte e já está acostumado a fazer suas compras fora do horário comercial. ''Se as lojas fecharem, vai ficar difícil'', opinou.
A empregada doméstica Gislene Vieira, 32, adquire tudo o que precisa nas lojas da Saul Elkind. Como trabalha o dia inteiro em uma casa no centro da cidade, reserva os sábados e domingos para fazer as compras. Essa também é a realidade da auxiliar de costura Marilene Soares da Cruz, 31 anos, que nunca faz compras no horário comercial convencional.
''Não dá tempo, só tenho o fim de semana'', afirmou. Para ela, a abertura das lojas nas tardes de sábado e manhãs de domingo é também uma opção de passeio. ''Mesmo que não seja para gastar dinheiro, a gente sai de casa para olhar vitrines e pesquisar preços.''


