Comércio culpa governo por especulação
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quarta-feira, 25 de setembro de 2002
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba O presidente do Sindicato da Indústria da Panificação e Confeitaria do Estado do Paraná, Joaquim Cancela Gonçalves, acusa o governo e o Banco Central por não adotarem medidas contra a especulação com o dólar, que se agravou esta semana. A mesma opinião tem o assessor econômico da Federação do Comércio do Estado do Paraná, Vamberto Santana. Para ele, o Banco Central deveria adotar medidas que dificultassem o lucro dos bancos, que ''são os responsáveis por esse momento especulativo, que pode gerar reflexos negativos para toda a sociedade''.
Segundo Gonçalves, nenhum integrante da cadeia produtiva do trigo como indústria, padarias e consumidores querem um aumento no preço do pãozinho e das massas em geral. As padarias já estão trabalhando com uma defasagem entre 10% e 20% e o comerciante acredita que o consumidor vai reduzir mais ainda suas compras. ''O Plano Real já acabou e só está vivo no bolso consumidor, que está com sua renda espremida'', disse. Para Gonçalves é uma falsa ideologia a informação que não existe inflação.
O empresário lamenta que o comércio, a indústria e os consumidores estejam sendo pressionados por um momento político. Gonçalves disse que a sociedade rejeita o aumento explosivo da taxa cambial, porque sabe que essa desvalorização é oriunda de especulação.
Gonçalves disse ainda que os representantes dos moinhos já estão avisando o comércio varejista que na próxima segunda-feira, haverá repasse da alta do dólar no preço da farinha de trigo, ''se não houver um recuo na taxa cambial''. Assim como os moinhos não podem trabalhar com prejuízo, as padarias também não podem e só resta ao consumidor reduzir ainda mais as compras, lamenta.
O comerciante calcula que as padarias têm estoques para somente mais 15 dias, e à medida que forem se esgotando não há como escapar dos reajustes de preços. Atualmente, nas padarias de Curitiba o preço médio do pãozinho é de R$ 0,20 a unidade ''e o consumidor já acha caro'', salientou.
Gonçalves lembrou que a situação só não está pior porque a farinha de trigo também é um produto perecível e os moinhos optam por dar descontos para vendas em grandes quantidades, como forma de desovar estoques. Mas essa situação preocupa os moinhos. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Roland Guth, os moinhos têm que pagar no câmbio do dia a farinha que já foi vendida.


