Comércio começa a contratar temporários
Carmem Murara
De Curitiba
O comércio curitibano começa a receber a partir da próxima semana os funcionários que vão trabalhar no período extraordinário de Natal. As contratações para mão-de-obra temporária sofrem um aquecimento para as lojas que deixaram para a última hora o reforço no número de lojistas. Os comerciantes estimam aumentar em até 15 mil o número de trabalhadores.
Os números são considerados exagerados pelo Sindicato dos Trabalhadores no Comércio. O presidente da entidade, Ariosvaldo Rocha, disse ontem que as contratações não devem ultrapassar a marca das 8 mil vagas. Este tem sido o número dos últimos anos e não há uma razão forte para contratar mais do que isso, afirmou. Rocha afirmou que as lojas procuram deixar para as semanas que antecedem o Natal o aumento de funcionários. A maioria deles será contratada na primeira semana de dezembro.
A colocação de mais atendentes nas lojas, em dezembro, se deve à liberação da primeira parcela do 13º. Pela lei, as empresas têm até o dia 30 para pagar 40% do salário extra de fim de ano. Com o dinheiro no bolso, os consumidores saem às compras, afirmou o vice-presidente da Associação Comercial do Paraná, Élcio Ribeiro.
No final do mês passado, a associação fez um levantamento junto às lojas e constatou que havia uma intenção de contratar cerca de 10 mil funcionários para o Natal. Mas Ribeiro espera que este número aumente. A pesquisa não levou em consideração as pequenas lojas que deixam as contratações para as semanas finais, avaliou.
As empresas que contratam mão-de-obra temporária confirmam a tendência de aumentar o quadro funcional apenas na segunda quinzena de novembro ou até em dezembro. A selecionadora da agência de empregos Employer, Gianna Waleska Tenório, diz que ainda há forte procura de pessoas interessadas em trabalhar no período natalino e ainda há empresas ofertando vagas. Começamos a selecionar em outubro, mas a maioria das lojas só começa a contratar os temporários a partir do meio de novembro, disse Gianna. Ela afirmou que houve aumento na oferta e procura por emprego neste ano em relação a 1998. Somente ontem, ela havia atendido, pessoalmente, 30 candidatos.
A procura por emprego se deve ao crescimento do número de demissões no setor. Hoje, os comércios varejista e atacadista têm cerca de 90 mil trabalhadores contra 120 mil há dois anos.
A redução é reflexo direto do fechamento ou da mudança de controle acionário de várias lojas na cidade. Entre elas, a Mesbla, Brasileiras e a Forró, que fecharam suas portas. A Mallucelli Materiais de Construção foi absorvida pela Balarotti, o que provocou uma redução de 50% no número de empregos.





